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28 novembro 2016

Fruta Feia em Matosinhos


Fruta Feia, a cooperativa de consumo que se formou em 2013 com o objetivo de inverter a tendência de desperdício de fruta deitada para o lixo por meras razões estéticas, chegou a Matosinhos, com a abertura de uma delegação na Cruz de Pau. Num contexto em que cerca de metade da comida produzida vai parar ao lixo e cerca de 30 por cento do que é produzido pelos agricultores europeus é desperdiçado a cooperativa tem desempenhado um papel importante: só nos últimos cinco meses impediu que 33 toneladas de frutas fossem parar à lixeira. Em Matosinhos, terceiro ponto de recolha de toda a região norte, o objetivo é evitar desperdício semanais na ordem de 1,5 toneladas por semana.

Segundo a FAO, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, o desperdício alimentar nos países industrializados chega a 1,3 mil milhões de toneladas por ano – seria suficiente para alimentar as cerca de 925 milhões de pessoas que todos os dias passam fome. Este desperdício tem um impacto ético e ambiental devido aos recursos utilizados na produção (terrenos, energia e água) e à emissão de dióxido de carbono e metano provocada pela decomposição dos alimentos que não são consumidos. Segundo um relatório de 2012 do Projeto de Estudo e Reflexão sobre o Desperdício Alimentar (PERDA), há um milhão de toneladas de alimentos desperdiçados anualmente em Portugal, o que representa cerca de 17 por cento do que produzido pelo país.

Segundo a Fruta Feia, entre as causas para este enorme desperdício anual estão “modelos de produção intensivos, condições inadequadas de armazenamento e transporte, adoção de prazos de validade demasiado apertados e promoções que encorajam os consumidores a comprar em excesso”. Por outro lado, “a preferência dos canais habituais de distribuição por frutas e legumes “perfeitos” em termos de formato, cor e calibre” tira da mesa dos consumidores cerca de 30 por cento do que é produzido pelos agricultores.

Inicialmente, a Fruta Feia (que era apenas uma trabalhadora, oito agricultores, cem consumidores e um ponto de entrega, em Lisboa) começou por evitar 400 quilos de desperdício por semana. Atualmente, a cooperativa constituída por cem agricultores, 2700 consumidores e tem sete pontos de entrega, em Lisboa e no Porto. Semanalmente são evitadas oito toneladas de desperdício.

O projeto da Fruta Feia é importante e deve ser apoiado, tanto por produtores como por consumidores. Para aderir, sugiro que faça uma visita à página de internet da cooperativa (http://frutafeia.pt/), onde encontra informação completa sobre o projeto. Se não está preocupado com o aspeto estético da fruta (e também de legumes e outros vegetais), o Fruta Feia deve interessar-lhe, porque além de lhe permitir poupar na compra está também a contribuir para a sustentabilidade do planeta.

18 setembro 2016

O Acordo de Paris e o meio-ambiente


A minha presença em Paris na semana passada, para participar, em representação de Carlos César, na cimeira dos presidentes dos partidos socialistas europeus, deu-me oportunidade para escrever sobre o Acordo de Paris, poluição e meio ambiente. Há muito que gostava de o ter feito e aproveitei para o fazer, agora que estive na capital francesa.

O Acordo de Paris, aprovado em dezembro do ano passado, é um tratado que rege as medidas de redução de emissão dióxido de carbono a partir de 2020. O documento foi negociado e ratificado por 195 países e é o primeiro acordo universal para combater as mudanças climáticas e o aquecimento global. Um dos compromissos mais importantes é o de manter o aumento da temperatura média global abaixo de dois graus centígrados e tentar limitar esse aumento de temperatura a 1,5ºC. Para que este objetivo seja alcançado é necessária uma redução drástica das emissões de gases de efeito estufa, o que só é possível através da economia de energia, de maiores investimentos em energias renováveis e do reflorestamento.

De entre as 195 nações que ratificaram o acordo, houve 186 que anunciaram medidas para sustar ou reduzir as emissões de gases de efeito estufa até 2025/2030. No entanto, mesmo que essas medidas sejam implementadas, a subida da temperatura pode chegar a três graus. Isso significa a subida do nível do mar que ameaça a segurança de vários países. Portugal, com a sua longa costa atlântica, é um dos países ameaçados, particularmente nas áreas da ria de Aveiro e nos estuários do Tejo e do Sado.

O objetivo do Acordo de Paris é atingir um pico das emissões de gases-estufa o mais cedo possível para, de seguida, iniciar reduções rápidas de forma a chegar a um equilíbrio entre as emissões provocadas pelo Homem e as absorvidas pelos sumidouros de carbono durante a segunda metade do século, uma referência às florestas.

Em 2018 será feita uma primeira análise da ação coletiva. Mas o tempo urge e a defesa do meio-ambiente é fundamental. As alterações climáticas e a poluição, de uma forma geral, fazem com que o Homem tenha cada vez menos recursos disponíveis. Este ano, desde 13 de agosto que estamos a gastar recursos que o planeta já não conseguirá repor até ao final do ano. Não seria dramático se fosse um caso esporádico. Mas desde 1970 que a organização não-governamental Global Footprint Network (GFN) calcula anualmente aquilo que é regenerado e absorvido pela Terra e o que a Terra já não consegue regenerar. O ponto de viragem é atingido cada vez mais cedo: no ano passado, foi a 3 de setembro; no anterior, foi a 4 de outubro; em 1970, tinha sido a 23 de dezembro.

Por outras palavras, e utilizando os termos da GFN: desde 13 de agosto que estamos “a viver a crédito”. Ou tomamos rapidamente medidas sérias e eficazes ou os nossos netos não terão um planeta habitável para viverem.