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14 maio 2017

Um dia em cheio

Ontem foi um dia cheio de emoções para Portugal, de novo nos ecrãs de televisão de todo o mundo e sempre pelos bons motivos. Sai reforçada a imagem do País e dos portugueses, o que deve ser motivo de satisfação e de orgulho para todos.

A visita papal a Fátima, onde cem anos depois da visão dos pastorinhos foram canonizados Francisco e Jacinta Marto, decorreu sem qualquer incidente e foi marcada por uma enorme participação de fiéis, provenientes de todo o país e do estrangeiro. Os dois pastorinhos, que haviam sido beatificados por João Paulo II, em 2000, tornaram-se agora os mais jovens santos da igreja católica.

A forma como Portugal acolheu o papa Francisco faz jus à tradição: Portugal e os portugueses sabem receber, são acolhedores e hospitaleiros. No caso do papa Francisco, além da questão religiosa, creio que é determinante a empatia que cria com todos, alertando para as injustiças e desigualdades que sofrem os mais desprotegidos. Isso contribui para que muita gente o admire, mesmo fora da igreja católica.

À noite, em Kiev, na Ucrânia, Salvador Sobral trouxe para Portugal um título inédito. Ao interpretar “Amar Pelos Dois”, o cantor venceu o Festival Eurovisão da Canção, o mais importante festival musical do género na Europa. A vitória do jovem cantor pôs fim a décadas de participações portuguesas geralmente marcadas pela modéstia das classificações atingidas. É verdade que passaram pelos palcos europeus grandes nomes da música portuguesa, que interpretaram canções de elevadíssima qualidade, mas nunca Portugal obteve o reconhecimento que agora chegou através de Salvador Sobral.

No caso da vitória de “Amar Pelos Dois”, uma coisa que me parece relevante sublinhar é o facto de este triunfo ser também uma vitória da língua portuguesa, por vezes tão ameaçada por uma globalização que impõe o Inglês como língua dominante. Parabéns pois, Salvador Sobral.

Parabéns igualmente para os benfiquistas que também viram a sua equipa conseguir algo de inédito, com a conquista de quatro campeonatos seguidos. Nunca escondi – pelo contrário – que não sou benfiquista, o que não me impede de felicitar todos os adeptos encarnados. Parabens!

05 maio 2017

Viva o Senhor de Matosinhos

Estão a chegar as festas em honra do Senhor de Matosinhos que como habitualmente incluem um vasto programa de iniciativas de caráter religioso e atividades lúdicas e culturais. A Festa do Senhor de Matosinhos (Bom Jesus de Bouças, como era inicialmente conhecido) é o momento maior entre as romarias do concelho, um acontecimento importante para Matosinhos e para toda a região pelos muitos milhares de pessoas que acorrem à cidade e pela animação que provocam do primeiro ao último dia.

Durante cerca de três semanas, temos encontro marcado com a festa, com o fogo-de-artifício, com a feira de artesanato e da louça e com os carrosséis, sem esquecer a parte da gastronomia com a doçaria conventual, o pão com chouriço e o cheiro a sardinha assada e a farturas. É tempo de festa, de receber amigos, de atrair visitantes e turistas e de os cativar para que voltem mais vezes e contribuam, com a sua presença, para movimentar o comércio e a economia locais.

O Senhor de Matosinhos é também, claro, um momento de fé para milhares de fiéis que homenageiam o patrono e padroeiro da cidade. Para mim, é também voltar os meus anos de catraia, em que não dispensava o brinquedo de madeira, ou da corda de saltar, do algodão doce, das senhas da tômbola da Obra do Padre Grilo. Mais tarde, já adolescente, o que mais queria era experimentar o twister e outras novidades plenas de adrenalina, locais em que me encontrava com os meus escola de escola, a Augusto Gomes, que eu então frequentava.

Olho para trás e vejo que o Senhor de Matosinhos continua, hoje como antes, a juntar as famílias, jovens e adultos, perpetuando uma tradição já antiga. Isso é algo que devemos valorizar, porque é um traço da nossa identidade coletiva.

Termino com o desejo de que todos os matosinhenses encontrem no Senhor de Matosinhos motivos de alegria, de divertimento e, também, claro, de recolhimento espiritual para aqueles que o procurarem. Que a alegria seja para todos, dos mais jovens aos mais idosos.

(Artigo publicado no "Jornal de Matosinhos", 05.mai.2017)

14 fevereiro 2017

Sala cheia na Biblioteca Florbela Espanca

Prometer e cumprir – tinha-me comprometido a ouvir os matosinhenses e comecei ontem a fazê-lo de uma maneira mais formal, através da primeira de dez sessões do ciclo “Ouvir Matosinhos”. A Biblioteca Florbela Espanca encheu-se de pessoas que discutiram o futuro do concelho e contribuíram com as suas próprias ideias e propostas para a reflexão sobre que futuro queremos para a nossa terra.

Foi muito importante e enriquecedora esta primeira sessão, quer pelo número de participantes, que ultrapassou as minhas expetativas, ao ponto de muita gente ter ficado à porta sem poder entrar, quer, sobretudo, pela qualidade das intervenções e pelo interesse dos temas abordados.

Ontem, foram debatidos temas como as novas competências para as autarquias, a ocorrer em breve, o turismo e de como potenciar a presença de passageiros chegados ao Novo Terminal de Cruzeiros, as novas plataformas digitais das smart cities, a aposta no plano social e da saúde, com especial enfoque para a prevenção das doenças como a hipertensão e a diabetes. As obras de revitalização urbana e o legado cultural, e não só, do Presidente Guilherme Pinto foram outros assuntos abordados e discutidos pelos participantes e pela candidata socialista.

O ciclo de sessões “Ouvir Matosinhos” prossegue até final de março. A próxima sessão será de hoje a uma semana, dia 21 de fevereiro, em S. Mamede de Infesta (Salão Nobre da Junta de Freguesia). Quando se trata do futuro do concelho, todos temos uma palavra a dizer e eu quero ouvir o máximo de pessoas possível. O seu contributo é fundamental.

Conto consigo! 

30 janeiro 2017

20 Anos de Jazz em Matosinhos

A Orquestra de Jazz de Matosinhos completa hoje 20 anos. O aniversário é comemorado esta noite no renovado edifício da Real Vinícola, agora sede da banda. Para trás estão duas décadas em que a OJM se tornou num embaixador de Matosinhos, quer em Portugal quer no estrangeiro. Vinte anos de afirmação e de colaborações com grandes nomes do jazz internacional, a presença em concertos em vários países e sessões no Carnagie Hall, em Nova Iorque, a mais mítica sala de espetáculos do mundo do jazz, falam por si.

Quando, em 1997, Pedro Guedes transformou a sua Héritage Big Band na Orquestra de Jazz de Matosinhos, já havia jazz na cidade. Mas há, claramente, um antes e um depois da fundação da OJM. “Muita gente achava, incluindo nós, que se calhar no ano seguinte íamos acabar. Nos primeiros anos foi muito difícil, para manter ensaios semanais, com dificuldades em convencer as pessoas a vir a troco de nada”, relembrou há dias Carlos Azevedo. Desde a sua criação, foi feita a promoção, a criação, a investigação, a divulgação e a formação na área da música jazz. Instituição sem fins lucrativos, a OJM tem investido em projetos artísticos heterogéneos que se traduzem em espetáculos e na edição discográfica sem prejuízo dos seus projetos formativos locais.

A OJM obteve rapidamente o reconhecimento nacional e internacional devido sobretudo à qualidade dos seus músicos. Mas o seu serviço educativo é igualmente muito importante. Com o objetivo de envolver os alunos e a população, a OJM montou um projeto com duas escolas do concelho e com a Associação dos Pescadores Aposentados de Matosinhos em que se ligou a música ao mar e à pesca para se criar um espetáculo que se chamou “A Grande Pesca Sonora”.

Outra iniciativas importantes foram “O jazz vai às escolas”, com sessões, tocadas ao vivo por músicos que explicam a evolução deste estilo musical e “O Jazz sem Barreiras”, nos estabelecimentos prisionais de Santa Cruz do Bispo e de Custóias, tal como as visitas à ALADI e à APPACDM, entre outras instituições. Essas atividades, iniciadas quando eu era vereadora da Juventude, revelam o papel desempenhado pela OJM para proporcionar um igual acesso de oportunidades, transpondo as barreiras socialmente estabelecidas e constituindo-se como um instrumento de inclusão ajustável a todos, independentemente das suas condições físicas, sociais e étnicas.

Em 2014, a Câmara Municipal atribuiu à OJM a medalha de mérito dourada, fruto do, já então, valor acrescentado que a banda trouxe a Matosinhos. Mas mais do que olhar para o passado, que honra a cidade e prestigia a banda, importa olhar o futuro. E esse, Matosinhos e a sua Orquestra de Jazz encaram-no com otimismo e determinados a construi-lo com ainda mais sucesso.

A OJM vai ter o seu espaço próprio, no edifício da Real Vinícola que a Câmara reabilitou. É um passo importante porque dota a banda de melhores condições para desenvolver o seu trabalho. Mas Pedro Guedes e Carlos Azevedo querem também incrementar o serviço educativo que a OJM desenvolve e estabelecer a ligação entre a arte e a tecnologia. Para o mês de junho está prevista a conferência “Computer Music Multidisciplinary Research”, o que permite lembrar que Matosinhos é também um concelho com uma vertente tecnológica cada vez mais forte. 

Esta noite, na rua Menéres, mais do que celebrar o passado, a Orquestra de Jazz de Matosinhos lança pontes para o futuro. O que eu desejo é que este lhe sorria. 

11 novembro 2016

Matosinhos e o orçamento municipal


O orçamento municipal de Matosinhos para 2017 foi aprovado na semana passada, situando-se agora nos 112,2 milhões, mais um milhão do que o valor previsto para o ano em curso. Mesmo sem contar com as verbas provenientes do quadro comunitário, que não foram ainda contabilizadas, é uma das maiores dotações orçamentais entre os municípios portugueses.

Da leitura do documento podem tirar-se várias conclusões. Uma das primeiras é que mais de metade do orçamento é destinado a funções sociais, sobretudo para habitação e serviços coletivos. Na realidade, são cerca de 67 milhões de euros qua a autarquia prevê para estas áreas, que incluem também a cultura e a educação.

Trata-se de um orçamento equilibrado, que tem em conta as reais necessidades do concelho e que coloca as pessoas no centro das políticas. Valorizo particularmente o investimento na Educação, setor em que Matosinhos é um concelho modelo. A Autarquia dotou-se de uma política que passa pelo custeamento das refeições dos alunos carenciados, criou programas de combate ao abandono escolar, incentiva o sucesso escolar e isso é verdadeiramente de saudar.

Noutra ordem de ideias, a reabilitação urbana vai continuar a ser uma prioridade. Na baixa de Matosinhos, por exemplo, a requalificação da rua Heróis de França e da avenida Serpa Pinto vai finalmente avançar e aquelas artérias vão ficar mais atrativas quer para os matosinhenses, quer para os turistas que procuram os restaurantes desta zona da cidade. Está igualmente prevista a requalificação do vale do Leça.

Paralelamente a estes investimentos, a Câmara vai dar continuidade à sua política cultural. Faz todo o sentido que assim seja, depois da dinâmica que foi criada com a Capital Cultural do Eixo Atlântico. Algo estaria mal se aquilo que foi construído nesta área se perdesse e para o futuro ficasse apenas a comemoração de uma efeméride. Felizmente, a autarquia vai prosseguir a animação cultural da cidade. Ao mesmo tempo, reforça a aposta no Design. Depois da abertura da Casa do Design, um junho passado, Matosinhos vai candidatar-se a cidade criativa da UNESCO nesta área.

Tudo isto é feito de forma integrada: habitação, ensino, cultura, são prioridades que a Câmara definiu para o concelho. E fá-lo com um Orçamento equilibrado, investindo estrategicamente enquanto consegue baixar a taxa de IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis) fixando-o em 0,425 por cento, uma redução que os matosinhenses agradecem. Por outro lado, a taxa da derrama mantêm-se nos 1,5 por cento. Novidade, é a isenção de pagamento para as micro e pequenas empresas que tenham menos de 150 mil euros como volume de negócios, sinal de que a Autarquia está atenta ao tecido empresarial do concelho e valoriza a criação de emprego. São precisas mais políticas de apoio às empresas, políticas que permitam atrair novos investidores, nomeadamente na área das novas tecnologias, em que Matosinhos começa a dar cartas.

Importante, mais do que tudo, é assegurar o desenvolvimento de todo o concelho, combater a pobreza e as desigualdades sociais e fazê-lo de forma sustentada, até do ponto de vista ambiental. Matosinhos tem de encarar os desafios que a aplicação do Acordo de Paris coloca às autarquias como uma oportunidade para dar passos decisivos nesta área. É essencial melhorar a política ambiental de maneira a, também nesta área, sermos um concelho onde a qualidade de vida seja determinante na atração de empresas e famílias. O mesmo se aplica, aliás, na área da Saúde, com as novas competências que podem ser delegadas nas autarquias.


(Artigo publicado no "Jornal de Matosinhos", 11.nov.2016)


14 outubro 2016

Quadros de Miró ficam na Casa de Serralves


Após uma longa polémica sobre o destino a dar aos quadros de Joan Miró, foi finalmente encontrada uma solução: as obras ficam na Casa de Serralves, no Porto, o que reforça a posição da Invicta como polo cultural. A cidade, e toda a região, ganham assim um novo motor de crescimento que ajuda a consolidar o lugar, atribuído pelo site de viagens TripAdvisor, de um dos melhores destinos emergentes do mundo (e o melhor da Europa). Para já, as obras podem ser vistas no âmbito da exposição "Joan Miró: Materialidade e Metamorfose", inaugurada há dias numa cerimónia que contou com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o Primeiro-ministro, António Costa, e o presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy. O projeto foi elaborado por Álvaro Siza Vieira.

É um final feliz para uma história que esteve para correr mal. Recordo que os quadros, que pertenceram ao falido BPN e que reverteram a favor do Estado aquando da nacionalização do banco, estiverem prestes a ser vendidos. O anterior governo permitiu mesmo que fossem enviados para Londres, onde a sociedade Christie’s chegou a ter um leilão marcado. Foi uma queixa apresentada à Procuradoria-Geral da República por um grupo de deputados do Partido Socialista, reclamando ilegalidades na saída das obras, que obrigou ao cancelamento do leilão. O Tribunal Administrativo de Lisboa considerou que tinha havido ilicitudes na ida das 85 obras de arte para Londres e a Chrsitie’s desinteressou-se do negócio.

Este caso ilustra bem a forma diferente como o governo de Passos Coelho e o de António Costa olham para a Cultura e para o País. Enquanto Passos Coelho permitia a saída e a alienação dos quadros com toda a facilidade, quase de mão beijada, António Costa e o seu governo empenharam-se em que esse património continuasse em Portugal. Se para o primeiro era imperativo vender, para António Costa o que é imperativo é não delapidar o erário público e manter em Portugal uma coleção que abrange sete décadas de trabalhos do pintor.

A história acaba bem porque foram salvaguardadas duas premissas que considero fundamentais: os quadros ficam em Portugal, por um lado, e, por outro, ficam acessíveis a quem os queira admirar. Foram estas, aliás, as preocupações desde sempre expressas pelo atual Governo que impediu que o património fosse alienado ao desbarato a interesses estrangeiros. A Cultura não se vende. Promove-se e, com ela, enriquece-se a população.

(Artigo publicado no Jornal "O Matosinhense", 06.out.2016)

01 outubro 2016

Quadros de Miró ficam em Serralves



O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro, António Costa, na terça-feira e confirmado ontem por Rui Moreira: os quadros de Joan Miró, esses mesmo que pertenceram ao falido BPN e que o anterior governo de Passos Coelho queria permitir que fossem vendidos ao estrangeiro, vão afinal ficar definitivamente em Portugal – no Porto e na Fundação Serralves. É um final feliz para uma longa polémica, com as obras do famoso pintor catalão a ficarem disponíveis para que a sociedade usufrua delas. Ontem, o presidente da câmara do Porto adiantou que o arquiteto Álvaro Siza Vieira terá a seu cargo a adaptação de Serralves para acolher definitivamente a coleção, que cobre sete décadas do pintor. O modelo institucional e financeiro para garantir a maximização do projeto será apresentado dentro de dias.

Claramente, esta é uma história que acaba bem, ficando salvaguardadas duas premissas que considero fundamentais: os quadros ficam em Portugal, por um lado, e ficam acessíveis a quem os queira admirar, por outro. Foram estas, aliás, as preocupações desde sempre expressas pelo atual Governo que se empenhou para que o património não fosse alienado ao desbarato a interesses estrangeiros.

As peças de arte chegaram a ser enviadas para Londres, mas a leiloeira Christie’s cancelou os leilões no início de 2014, em pleno governo de Passos Coelho e Paulo Portas. A decisão da empresa foi tomada depois de um grupo de deputados do Partido Socialista apresentar queixa à Procuradoria-Geral da República, reclamando ilegalidades na saída das obras do pintor catalão. A leiloeira britânica respeitou a argumentação do Tribunal Administrativo de Lisboa que considerou ter havido ilicitudes na ida das 85 obras de arte para Londres, onde o leilão se iria realizar.

Este caso dos quadros de Miró ilustra na perfeição a forma oposta como o governo de Passos Coelho e o de António Costa olham para a Cultura e para o País. Enquanto Passos Coelho permitia a saída dos quadros com toda a facilidade, quase de mão beijada, porque o que lhe interessava era realizar dinheiro não importa a que custo, António Costa e o seu governo empenharam-se em que esse património continuasse em Portugal.

Ao ficar definitivamente exposta na Fundação Serralves, a coleção Miró vai constituir um importante polo de atração quer para portugueses quer para estrangeiros. O Porto, que o site de viagens norte-americano TripAdvisor considerou o terceiro melhor destino emergente do mundo (e o primeiro da Europa), ganha um novo motor de crescimento para a cidade e para toda a região. Um final feliz.

10 setembro 2016

Morreu José Rodrigues


O falecimento de José Rodrigues deixou-me muito consternada: Portugal perdeu um homem ímpar, uma referência maior da sua cultura. Do ponto de vista pessoal, além do homem de artes, sublinho também a sua intervenção cívica e social. Amigo, solidário, combativo, era de um entusiasmo contagiante. José Rodrigues era um amigo do PS e esteve presente em diversas batalhas. Era incontornável sentarmo-nos com ele, ouvir as suas ideias claras sobre o futuro e admirar a sua mente inquieta, em constante criação.

José Rodrigues nasceu em Angola, 1936. Fez o curso na Escola Superior de Belas Artes, no Porto, onde se radicou. Entre as obras mais conhecidas do escultor destacam-se o Cubo da Praça da Ribeira e o Monumento ao Empresário na Avenida da Boavista, no Porto. Foi um dos fundadores da Cooperativa Cultural Árvore, no Porto, e um dos promotores da Bienal de Vila Nova de Cerveira. É precisamente em Cerveira que funciona a Associação Cultural Convento S. Payo, cujo objetivo é promover e divulgar o acervo do escultor e dar apoio a iniciativas culturais. A Associação organiza exposições, recitais, seminários, colóquios, conferências e congressos como divulgação do património cultural e natural. Simultaneamente, fomenta o intercâmbio cultural com países de expressão portuguesa e divulga a língua e cultura portuguesas no âmbito dos estudos da diáspora portuguesa.

Senhor de um currículo invejável, José Rodrigues tornou-se um nome incontornável das artes e deixa-nos um legado importante: a Fundação com o próprio nome, no alto da Fontinha, no Porto, onde se juntam gentes de várias sensibilidades, artísticas e económicas. A Fábrica Social – Fundação José Rodrigues é um espaço multicultural polivalente alargado a outros artistas e atividades culturais, como a dança, o teatro, a música, por exemplo.

É um dos escultores portugueses mais emblemáticos da segunda metade do século XX. Mas, versátil e multifacetado, dedicou-se a outras expressões artísticos além da escultura e fez ilustração para livros de escritores e poetas, como Eugénio de Andrade, Jorge de Sena, Vasco Graça Moura e Albano Martins.

A câmara do Porto, que iniciou este mês obras de restauro do Monumento ao Empresário, cuja conclusão está prevista para o final de Outubro, na data de nascimento do escultor, decretou dois dias de luto municipal.

O funeral de José Rodrigues será amanhã, às 11:00, no Tanatório de Matosinhos, onde o corpo está em câmara ardente desde a tarde de hoje. 

19 agosto 2016

Matosinhos – A escolha acertada


A notícia não me surpreende, mas enche-me de orgulho: de acordo com o motor de busca de alojamento Trivago, Matosinhos é o destino de praia mais barato do país para pernoitar. Em média, custa 71 euros por noite dormir em Matosinhos, comparativamente aos 344 euros que custa uma noite em Almancil, o destino mais caro de Portugal. Entre os dois, uma diferença de 273 euros, claramente favorável à terra onde nasci.

De acordo com o estudo da Trivago, divulgado pela revista Visão, Setúbal, Peniche, Ovar e Ericeira vêm a seguir na lista das cinco cidades mais baratas para pernoitar. Dormir em Setúbal, a segunda cidade mais barata custa também mais dois euros do que em Matosinhos.

As cidades com praias mais baratas são principalmente no norte e centro do país, com exceção de Aljezur e Faro que, com preços entre os 96 euros e os 107 euros, respetivamente, estão no top 15 das cidades mais baratas. No polo oposto, das mais caras, estão todas no Algarve: Almancil (344 euros), Vilamoura (270 euros), Alvor (244 euros) e Carvoeiro (236 euros). Cascais, na região de Lisboa, completa o top cinco das mais caras, com preços médios na ordem dos 213 euros por noite.

Segundo o estudo da Trivago, do ano passado para este ano diminuiu a diferença entre a cidade mais barata e a mais cara. Agora mais dois euros dormir em Matosinhos, mas custa menos 19 pernoitar em Almancil.

Os preços indicativos médios calculados pelo motor de busca mostram claramente que Matosinhos tem uma grande vantagem concorrencial nos preços que pratica. Mas mostra também que há margem para crescimento, sobretudo quando pensamos que o concelho tem nada menos do que dez praias de mar com bandeira azul: Pedras do Corgo, Funtão, Agudela, Quebrada, Marreco, Memória, Cabo do Mundo, Aterro, Leça da Palmeira e Fuzelhas. Cada uma delas é motivo para, nas nossas férias dedicarmos, pelo menos um dia ao nosso concelho. E existem outras excelentes praias em Matosinhos sem terem bandeira azul.

Se pensarmos na oferta que Matosinhos também tem ao nível da restauração e da gastronomia, dos eventos de índole cultural, das festas populares nas várias freguesias e num largo conjunto de outras iniciativas promovidas pelas autarquias (Câmara e Juntas de Freguesia) ou pelas coletividades, chegamos facilmente à conclusão de que deve ser continuado e mesmo incrementado o investimento que tem sido feito no Turismo como um dos mais importantes motores da economia local.

02 agosto 2016

A magia da Livraria Lello


Um dos mais belos cartões-de-visita do Porto é a Livraria Lello, na rua das Carmelitas, bem pertinho de outro ex-libris da cidade, a Torre dos Clérigos. Com 110 anos de história (foi inaugurada a 13 de janeiro de 1906), a velha Lello voltou agora a ser notícia pelas obras de recuperação por que passou e pelo lançamento, exclusivo em Portugal, do novo livro da saga Harry Potter. Compreende-se: foi na escadaria carmim desta livraria que a escritora inglesa J. K. Rowling se inspirou para imaginar a escola de magia de Hogwarts onde o jovem feiticeiro aprendeu os seus melhores truques.

Depois da remodelação, a Lello é a mesma de sempre. Mas, desde sábado, aparece-nos de “cara lavada”. O famoso vitral foi desmontado e recuperado, o que aconteceu pela primeira vez. Por outro lado, a fachada foi igualmente recuperada e pintada conforme a original. Uma segunda fase de obras, no interior, deverá estar concluída antes do final do ano.

A Lello é reconhecida como uma das mais belas livrarias do Mundo devido ao seu valor histórico e artístico. É um conjunto em que a arquitetura e os elementos decorativos deixam transparecer o estilo dominante no início de século XX. Em suma: se a icónica livraria já merecia uma visita, agora a passagem é obrigatória.

Por semana, o local é visitado por cerca de três mil pessoas, a maior parte das quais turistas. Se ainda não conhece, está na hora de a descobrir. Desde o ano passado, a entrada é paga – três euros, descontados na compra de livros. A taxa visa limitar o número de turistas, pois as visitas contínuas acabam por deteriorar o espaço. Apesar de tudo, a aplicação da taxa não fez com que o número de visitas reduzisse – pelo contrário, a fila de visitantes à porta de entrada é uma constante.

06 junho 2016

Matosinhos está na moda


No espaço de poucos dias a nossa cidade esteve nas páginas de todos os jornais, nos ecrãs de televisão e nos olhos do Mundo. Por bons motivos.

Primeiro foi a inauguração da Capital da Cultura do Eixo Atlântico, com a projeção de imagens vídeo no edifício da Câmara, num espetáculo multimédia de som, luz e cor que proporcionou momentos de rara beleza. A noite terminou com música e fogo-de-artifício que constituíram um excelente prelúdio de um conjunto de iniciativas de cariz cultural de elevadíssima qualidade.

Depois foi o Senhor de Matosinhos com a sua secular capacidade para atrair dezenas de milhares de visitantes. Entre 8 de maio e 1 de junho sucederam-se as manifestações religiosas (com destaque para a procissão, no dia 24) e culturais (com a feira do livro e o festival Literatura em Viagem, no domínio da Literatura, mas também com concertos e o Festival de Folclore Luso-Espanhol, além de conferências e exposições de vária ordem). Foi mesmo um programa riquíssimo pela qualidade e pela variedade das iniciativas propostas aos matosinhenses e a quem nos quis visitar.

Para terminar, o concelho acolheu o Rali de Portugal. A Exponor foi de novo o centro nevrálgico daquela que é, atualmente, a maior prova de desporto motorizado que se realiza em Portugal e que conta para o Campeonato do Mundo de Ralis.

Matosinhos está na moda. Já não é só a Gastronomia a promover o turismo que impulsiona toda a economia local. Agora, é também, a Cultura (sob a suas mais variadas formas) e o Desporto. Em breve, a Casa da Arquitetura dará também o seu contributo. Matosinhos afirma-se como um concelho capaz de oferecer à população uma melhor qualidade de vida e com potencial para atrair milhares de visitantes.

(Artigo publicado no Notícias Matosinhos, 03.jun.2016)

06 maio 2016

Orquestra de Jazz internacionaliza Matosinhos



Neste primeiro artigo no Notícias Matosinhos, quero começar por saudar o seu editor, Emídio Brandão, e agradecer-lhe o espaço que me concede. Abraço este projeto com muito carinho e a determinação que ponho em tudo o que faço. O Notícias Matosinhos tem um papel fundamental no panorama da imprensa regional, com o seu grafismo apelativo e inovador e a sua informação rigorosa e plural.
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A Orquestra de Jazz de Matosinhos é, a par da nossa gastronomia e do porto e terminal de cruzeiros, um dos nossos maiores embaixadores, contribuindo para a internacionalização do nome de Matosinhos. Dizê-lo é reconhecer o percurso notável da formação, numa altura em que se prepara, novamente, para atravessar o Atlântico para uma semana de concertos no famoso Blue Note, em Nova Iorque. Para a OJM trata-se de um regresso aos EUA onde esteve recentemente no não menos famoso Carnegie Hall, mas sem dúvida, um marco inesquecível para o seu desejavelmente longo percurso.

Uma das mais gratas recordações dos meus doze anos de vereadora é ter “presenciado” o nascimento da Orquestra de Jazz de Matosinhos cuja fundação, em 1999, foi apoiada pela Câmara Municipal. Ao longo dos anos, o projeto ganhou dimensão e, com ela, respeito, notoriedade e credibilidade. E é com essa mistura de ingredientes que a Orquestra de Jazz de Matosinhos chega a parcerias com nomes tão notáveis como os portugueses Maria João, Maria Azevedo ou Carlos Bica ou ainda os internacionalmente conhecidos Joshua Redman, Maria Schneider, Carla Bley, Dee Dee Bridgewater, Maria Rita ou Mayra Andrade.

No seu currículo, a OJM tem atuações regulares nas principais salas portuguesas. Além disso, conta com espetáculos em Barcelona, Bruxelas, Milão, Marselha, Boston e Nova Iorque. Foi aliás a primeira big band portuguesa de jazz a participar num festival norte-americano, em 2007, e realizou completou temporadas em vários clubes nova-iorquinos.

Formando uma verdadeira orquestra de jazz, a OJM apresenta repertórios de todas as variantes estéticas e de todas as épocas. E, como diz na sua página de internet, assume-se “como um fórum alargado de compositores e músicos, lançando pontes, estabelecendo parcerias e produzindo um repertorio nacional próprio específico para big band contemporâneo, versátil e diverso”. Na realidade, a formação guarda a tradição das big bands clássicas, mas investe continuamente em promover continuamente a criação, a investigação, a divulgação e a formação na área do jazz.

A partir de 2010, a Orquestra desenvolve também um projeto destinado à criação de um Centro de Alto Rendimento Artístico (CARA), destinado a promover o diálogo entre arte, ciência e tecnologia, designadamente através de projetos multidisciplinares que visem a investigação e desenvolvimento de soluções para a criação, fruição e disseminação de conteúdos criativos.

Matosinhos agradece, até porque sabemos que a formação tem resistido à pressão para mudar de nome. Mas o sentimento de pertença e de gratidão em relação à cidade que a viu nascer tem falado mais alto…

(Artigo publicado no Notícias Matosinhos, 06.mai.2016)