23 fevereiro 2017

O investimento no turismo

Matosinhos já não é apenas um concelho voltado para o mar. Durante muitos anos, a economia concelhia viveu essencialmente do que ia buscar ao oceano. As pescas e a indústria conserveira, sobretudo, mas também o Porto de Leixões eram o ganha-pão de muitas famílias. Mas, sempre com o mar como pano de fundo, Matosinhos abriu horizontes e é hoje um dos concelhos mais importantes de toda a região em várias áreas, como o Turismo, por exemplo.

Os números são reveladores do trabalho que tem sido feito para atrair pessoas a Matosinhos: em 2016, o turismo cresceu 53 por cento no concelho. Segundo dados revelados pela autarquia, o aumento foi potenciado pelo incremento de visitas relacionadas com os Caminhos de Santiago. Mas há outras razões, que têm mais a ver com Matosinhos, que explicam este aumento. O Terminal de Cruzeiros, a proximidade do aeroporto Sá Carneiro, a Capital da Cultura do Eixo Atlântico e os grandes eventos culturais, como a EDP Beach Party, por exemplo, deram um forte contributo para melhorar a atratividade turística do concelho. A gastronomia (que também conta agora com um restaurante estrelado pela Michelin), o surf, a arquitetura e o design são outros fatores que permitiram o aumento do número de turistas no concelho.

A reabilitação urbana, estradas, passeios, ciclovias e praças novas ou em curso tornam também a cidade mais atrativa para os seus moradores e para quem nos visita. A verdade é que temos de ser capazes de fazer com que Matosinhos não seja apenas um local de passagem para quem desembarca no Terminal de Cruzeiros ou no Sá Carneiro. O aumento previsto do número de passageiros do aeroporto, que este ano ultrapassará a fasquia mítica dos dez milhões de passageiros, com novas rotas e o regresso de companhias de bandeira, tem de fazer-se sentir na economia local.

O aeroporto, o Terminal de Cruzeiros, o Porto de Leixões, a rede viária que nos aproxima de Vigo e de Zamora, fazem de Matosinhos uma verdadeira placa giratória de pessoas que é fundamental cativar. Ou seja: é necessário criar uma oferta quantitativa e qualitativa que faça com que Matosinhos deixe definitivamente de ser apenas local de passagem para passar a ser, definitivamente também, o local de destino.

Há lacunas que é importante preencher, nomeadamente ao nível do alojamento turístico cuja oferta é insuficiente. A abertura prevista de mais uma unidade hoteleira até ao final deste ano vai atenuar esta dificuldade e Matosinhos posiciona-se cada vez mais como destino turístico por excelência. 

(Artigo publicado no jornal "O Matosinhense", 23.fev.2017)


22 fevereiro 2017

S. Mamede de Infesta fez-se ouvir

Ontem, o Salão Nobre da Junta de Freguesia de S. Mamede de Infesta foi pequeno para acolher tanta gente e muitos tiveram de ficar de pé, para a segunda sessão do nosso “Ouvir Matosinhos”, moderado pelo João Pereira da Silva. As intervenções revelaram mais uma vez o interesse com que os matosinhenses olham para as questões políticas locais e a vontade que têm em contribuir na busca de soluções para os problemas que os afetam. Muitas dessas intervenções foram centradas na ampliação da rede de Metro do Porto, nas acessibilidades, na eliminação de barreiras arquitetónicas que ainda existem e na reabilitação ou deslocalização do mercado. Ouvi estas intervenções e tomei nota de assuntos concretos para os quais o próximo executivo municipal terá de encontrar resolução.

Por outro lado, senti também a preocupação dos intervenientes sobre outras problemáticas que exigem uma atenção particular na área da saúde e do emprego. É necessário reforçar as políticas de combate ao desemprego de longa duração, criar condições que proporcionem a fixação de população jovem, nomeadamente dos estudantes, e achar uma solução para os jovens que nem estudam nem trabalham. Paralelamente, há que encontrar novas respostas para o problema do envelhecimento da população e suprir a falta de serviços de cuidados continuados no concelho.

Algumas destas preocupações, que aqui trago apenas a título de exemplo de entre todas as que foram abordadas ontem, não são novas para mim. Sou de S. Mamede de Infesta, conheço o concelho e sei bem as riquezas que encerra e as lacunas que tem. Mas o exercício de reflexão feito ontem ajuda a cimentar ideias e o facto de ter havido intervenções de pessoas de perfis muito diferentes mostra que há temas que são transversais e que devem merecer uma atenção cuidada.

O próximo “Ouvir Matosinhos” está marcado para o Centro Cívico do Souto, em Custóias, esta sexta-feira. Será a terceira de um ciclo de dez sessões que terão lugar por todo o concelho com o objetivo de recolher contributos para o próximo programa eleitoral. Conto consigo!

21 fevereiro 2017

“Ouvir Matosinhos” em S. Mamede de Infesta

Espero que o Salão Nobre da Junta de Freguesia se encha esta noite para a segunda sessão de “Ouvir Matosinhos”, desta vez em S. Mamede de Infesta. Na semana passada, na Biblioteca Florbela Espanca, foram muitos e de grande interesse os assuntos abordados e a minha expetativa é que isso se repita hoje. Como tenho dito e não me canso de repetir, quando se trata do futuro do concelho, todos temos uma palavra a dizer.

Muitas das preocupações dos munícipes são comuns a todas as freguesias, mas sabemos que cada uma tem também as suas especificidades. Logo à noite teremos ocasião para debater S. Mamede de Infesta, sem prejuízo de poderem ser tratados temas de caráter geral. Não serei eu, no entanto, a impor a agenda da reunião: pelo contrário, a minha intenção é ouvir e, dentro do possível, responder às questões que me forem colocadas, tal como aconteceu na semana passada.

Insisto no que já tenho dito várias vezes: o seu contributo é muito importante, fundamental, mesmo. A criação de melhores condições de vida para a população do concelho diz respeito a todos e todos podemos ajudar a construir um concelho mais justo e equilibrado. Deste ciclo de encontros de reflexão sairão algumas das diretrizes do próximo plano eleitoral. Esta é pois uma excelente oportunidade para apresentar as suas ideias e sugestões sobre o que fazer para continuar a construir o futuro de Matosinhos.

Até ao final do próximo mês haverá ainda sessões em Custóias, Santa Cruz Bispo, Senhora da Hora, Perafita, Lavra, Guifões, Leça do Balio e Leça da Palmeira. Quero ouvir o máximo de pessoas possível, recolher o máximo de contributos para poder ir ao encontro das preocupações das pessoas.

Para mim, a política de proximidade tem de ser uma constante. A começar já.

15 fevereiro 2017

Em nome da transparência

Apresentei esta semana a renúncia a todos os cargos sociais que desempenhava em várias instituições sociais de Matosinhos. Fi-lo por uma questão de ética, porque quero preservar toda a transparência quando estou a abraçar o desafio de uma candidatura autárquica em que disputo a presidência da Câmara Municipal.

Na MAIS – Matosinhos Apoia a Inclusão Social, que gere creches e atividades de tempos livres em Matosinhos, Leça da Palmeira, Custóias e no Seixo e acompanha dezenas de crianças desde os primeiros meses, fui presidente da direção desde  2004. Na ADEIMA - Associação para o Desenvolvimento Integrado de Matosinhos era presidente da Assembleia Geral enquanto na Associação Mamedense de Apoio Social – AMAS era também membro da Assembleia Geral.

Para trás ficam muitos anos de dedicação e envolvimento nestas instituições particulares de solidariedade social (IPSS). Foram tempos extremamente enriquecedores do ponto de vista social e humano, de um trabalho voluntário e não remunerado que foi sempre muito gratificante. Guardarei para sempre a memória desses tempos e agradeço a todos quantos contribuíram para o desenvolvimento das associações a que estive ligada.

Apesar deste autoafastamento, continuarei solidária com estas as instituições que, tal como muitas outras, desempenham um papel fundamental para garantir a coesão social das populações. Que seja a esse nível ou no campo cultural, desportivo ou religioso, as coletividades do concelho desenvolvem um trabalho de proximidade para o qual as entidades oficiais não estão vocacionadas. Continuo a identificar-me por inteiro com esse trabalho e vou manter-me sócia, agora sem quaisquer funções diretivas. 

Por isso, não posso deixar de desejar os maiores sucessos a todas as instituições do concelho. Elas fazem parte do património de Matosinhos.

LGBT têm centro de apoio em Matosinhos

Aqui está outro motivo para ter orgulho na minha terra: abriu em Matosinhos o primeiro centro de apoio à população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transsexuais) do distrito do Porto. A inauguração foi ontem e coloca Matosinhos na vanguarda do respeito e do apoio a uma comunidade tradicionalmente vulnerável e marginalizada. O centro funcionará na rua Brito Capelo, no antigo edifício da Câmara Municipal.

O Centro Gis (em memória de Gisberta, a transexual brasileira que foi violada e assassinada no Porto por um grupo de adolescentes, em 2006) vai trazer respostas aos problemas sociais, psicológicos e jurídicos da população LGBT. Além dessa função principal, o Centro pretende igualmente contribuir para apoiar a implementação dos planos nacionais de Prevenção e Combate à Violência Doméstica e de Género e para a Igualdade de Género, Cidadania e Não-Discriminação.

O projeto do centro de apoio resulta de um memorando de entendimento entre a Câmara de Matosinhos e a Associação Plano I, uma organização sem fins lucrativos que visa dar resposta a situações relacionadas com desigualdade, discriminação, violência, exclusão e pobreza. O protocolo, apadrinhado pela secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Catarina Marcelino, prevê que o Estado financie este centro de apoio. A autarquia equipou e cedeu as instalações.

Sempre defendi a prática de políticas de promoção da igualdade e da inclusão social. A ameaça que pesa sobre os atuais valores civilizacionais torna essa opção política ainda mais premente. Que Matosinhos se destaque também nesta área é motivo de indisfarçável orgulho.

14 fevereiro 2017

Sala cheia na Biblioteca Florbela Espanca

Prometer e cumprir – tinha-me comprometido a ouvir os matosinhenses e comecei ontem a fazê-lo de uma maneira mais formal, através da primeira de dez sessões do ciclo “Ouvir Matosinhos”. A Biblioteca Florbela Espanca encheu-se de pessoas que discutiram o futuro do concelho e contribuíram com as suas próprias ideias e propostas para a reflexão sobre que futuro queremos para a nossa terra.

Foi muito importante e enriquecedora esta primeira sessão, quer pelo número de participantes, que ultrapassou as minhas expetativas, ao ponto de muita gente ter ficado à porta sem poder entrar, quer, sobretudo, pela qualidade das intervenções e pelo interesse dos temas abordados.

Ontem, foram debatidos temas como as novas competências para as autarquias, a ocorrer em breve, o turismo e de como potenciar a presença de passageiros chegados ao Novo Terminal de Cruzeiros, as novas plataformas digitais das smart cities, a aposta no plano social e da saúde, com especial enfoque para a prevenção das doenças como a hipertensão e a diabetes. As obras de revitalização urbana e o legado cultural, e não só, do Presidente Guilherme Pinto foram outros assuntos abordados e discutidos pelos participantes e pela candidata socialista.

O ciclo de sessões “Ouvir Matosinhos” prossegue até final de março. A próxima sessão será de hoje a uma semana, dia 21 de fevereiro, em S. Mamede de Infesta (Salão Nobre da Junta de Freguesia). Quando se trata do futuro do concelho, todos temos uma palavra a dizer e eu quero ouvir o máximo de pessoas possível. O seu contributo é fundamental.

Conto consigo! 

13 fevereiro 2017

Ouvir Matosinhos

Vamos ouvir Matosinhos – é este o desafio que gostaria de lançar a todos os matosinhenses. 

Todos nós, matosinhenses, independentemente da cor partidária, podemos e devemos refletir sobre o futuro que queremos para o nosso concelho. Não podemos deixar que se perca o dinamismo económico, ambiental, social e cultural que nos destacou a norte do país. 

Vivemos tempos novos. Teremos de dar continuidade aos nossos valores sociais e abraçar os desafios que se aproximam. Por isso é tão importante refletir sobre Matosinhos. Por isso é tão importante prepararmo-nos para o futuro. E ouvir os diferentes pontos de vista e opiniões de cada um de nós.
Esta noite, a partir das 21h30, o grupo Ouvir Matosinhos reúne-se para o primeiro de uma série de encontros de reflexão e diálogo que irão decorrer por todo o concelho. Desta vez, será na Biblioteca Florbela Espanca (ao lado da Câmara Municipal), com moderação do jornalista Júlio Magalhães, diretor-geral do Porto Canal. Quero ouvir as pessoas, as suas ideias e as suas propostas sobre o futuro do concelho.

Até final de março haverá outras nove sessões em Custóias, Santa Cruz Bispo, Senhora da Hora, Perafita, Lavra, Guifões, Leça do Balio e Leça da Palmeira. Depois de Matosinhos, a sessão seguinte será em S. Mamede de Infesta, no Salão Nobre da Junta de Freguesia.

A sua participação é fundamental. É o seu concelho, é a sua vida. Todos e todas têm uma palavra a dizer – e eu quero ouvir a sua. Não vou deixar ninguém de fora. A criação de melhores condições de vida para a população do concelho diz respeito a todos e todos podemos ajudar a construir um concelho mais justo e equilibrado.

O seu contributo é fundamental.

Conto consigo.

08 fevereiro 2017

Mais um prémio para o Terminal de Cruzeiros

Um caso sério como vencedor de prémios – agora foi o Arch Daily, o sítio de internet mais visitado do Mundo, a escolher o Terminal de Cruzeiros de Matosinhos como edifício do ano 2017. Está novamente de parabéns o arquiteto Luís Pedro Silva, autor do projeto, e está de parabéns Matosinhos que volta a ver seu nome associado à melhor arquitetura do Mundo. O novo ex-libris do concelho de Matosinhos já tinha sido alvo de outras distinções, nomeadamente com o prémio internacional de arquitetura e design da "AZAwards", quando foi selecionado entre 826 projetos de mais de cinquenta países, em junho passado.

No caso do Arch Daily, o vencedor de cada categoria é definido pelo público. “Não acreditamos que seja necessário um júri formado por peritos para determinar o que é arquitetura de qualidade. Nós acreditamos nos nossos leitores para selecionar edifícios que pela sua beleza, inteligência, criatividade ou por estarem ao serviço da comunidade representam a melhor arquitetura do ano”, afirma o sítio. Os leitores reduziram a lista de centenas de edifícios candidatos para apenas cinco em cada categoria. O Terminal de Cruzeiros venceu na categoria de “Arquitetura Pública”.

Os prémios ganhos são importantes porque promovem a notoriedade do Terminal de Cruzeiros junto das maiores companhias internacionais de cruzeiros, mas também a própria notoriedade de Matosinhos através do Mundo. Mais do que isso, associam Matosinhos à Arquitetura o que é de extraordinária importância quando se sabe que a Autarquia tem investido nesta área.

Daqui por uns meses, quando for inaugurada a Casa da Arquitetura, Matosinhos ganha mais uma valência importante para promover a Arquitetura. A Casa, que assumirá também o nome de Centro Português de Arquitetura, vai funcionar na avenida Menéres, na antiga Real Vinícola, um edifício que resistiu à progressiva transformação daquela zona da cidade, tendo sido preservado devido ao seu elevado valor patrimonial e cultural. Além do papel importante que desempenhará ao nível da Arquitetura propriamente dita, o projeto reforça e complementa a oferta já existente como fator de atração turística.

Todas estas ações, aliadas aos prémios internacionais conquistados pelo Terminal de Cruzeiros dão peso e reforçam a possibilidade de Matosinhos apresentar uma candidatura para passar a integrar a Rede de Cidades Criativas da UNESCO o que enriqueceria ainda mais o património do concelho.

07 fevereiro 2017

Matosinhos e a 4ª Revolução Industrial

25 Mil milhões de euros. É este o montante que Portugal irá receber até 2020 para estimular o crescimento e a criação de Emprego e promover as intervenções necessárias para concretizar esses objetivos. No âmbito do Portugal 2020, pretende-se incentivar a produção de bens e serviços transacionáveis, o Incremento das exportações e a transferência de resultados do sistema científico para o tecido produtivo. O programa prevê também o cumprimento da escolaridade obrigatória até aos 18 anos, a redução dos níveis de abandono escolar precoce e a integração das pessoas em risco de pobreza e combate à exclusão social. A promoção do desenvolvimento sustentável, o reforço da coesão territorial, particularmente nas regiões de baixa densidade e a racionalização, modernização e capacitação da Administração Pública, são outros dos objetivos.

É no quadro do Portugal 2020 (que está em vigor desde 2014) que foi há dias anunciada a Estratégia para a Indústria 4.0, um conjunto de sessenta medidas de iniciativa pública e privada que deverão ter impacto em mais de 50 mil empresas e permitirão formar mais de 20 mil trabalhadores em competências digitais. Haverá 4,5 mil milhões de euros que serão injetados na economia, valor que representa o investimento em recursos relevantes para a transformação digital da economia.

O CEiiA, de Matosinhos, é um dos parceiros do projeto. Através da parceria com a Startup Portugal, a empresa matosinhense vai possibilitar a incubação e aceleração de startups ligadas à digitalização da indústria. O CEiia é um centro de engenharia e desenvolvimento de produtos para a indústria aeronáutica, automóvel e de mobilidade. Até 2020, a empresa será um espaço de produtização e prototipagem integrado na estratégia nacional para a Indústria 4.0, desenvolvida em paralelo com a Startup Portugal, a estratégia nacional para o empreendedorismo, lançada em 2016.

No arranque desta incubadora e aceleradora de produtização e prototipagem vão estar startups tecnológicas que poderão trabalhar diretamente com multinacionais como a Mitsubishi, a Siemens ou a Autoeuropa, por exemplo. A ideia é que a partilha do espaço possa contribuir para ajudar a transformar ideias em produtos de forma sistemática.

Há quase um ano que o Governo tem vindo a desenvolver a estratégia nacional para Indústria 4.0, em parceria com mais de 200 empresas que foram ouvidas sobre as formas que consideram mais eficazes de apoio para aquela a chamada 4ª Revolução Industrial.

Que Matosinhos, através do CEiiA, tenha um papel preponderante na estratégia nacional para Indústria 4.0 é uma prova evidente de que o concelho soube evoluir acolhendo também atividades não tradicionais onde começa a dar cartas. Como tenho dito e escrito noutras ocasiões, o investimento em Educação e em Investigação e Desenvolvimento é um investimento que frutifica. 

04 fevereiro 2017

Naufrágio nas Astúrias

Fico sempre emocionada quando ouço notícias de que um barco de pesca naufragou. Esta tarde voltou a acontecer, quando soube do acidente que envolveu um barco espanhol e os seus doze tripulantes, entre os quais havia portugueses. Não fujo à regra de pensar que entre as vítimas pode estar alguém conhecida – com o número de pessoas de Matosinhos que está ligada à pesca e ao mar, a probabilidade é sempre elevada…

Desta vez, felizmente, não há vítimas mortais a lamentar. Portugueses (das Caxinas, ao que parece) e restante tripulação foram resgatados a tempo. Mas este naufrágio – mais um – reforça em mim a convicção de que é necessário continuar a trabalhar para melhorar as condições de trabalho dos pescadores, sobretudo as que têm a ver especificamente com a segurança.

O Governo de Portugal tem feito um trabalho extraordinário ao nível das pescas e de toda a atividade marítima. Negociaram-se quotas de pesca mais favoráveis, está a ser feito um grande investimento na recolha e tratamento de informação de caráter científico e na formação.

E quanto à segurança? No final do ano passado, a ministra do Mar, Ana Paulo Vitorino, inaugurou a Estação Leça/Leixões do Sistema ‘Costa Segura’, projeto promovido pela Autoridade Marítima Nacional. Trata-se de um contributo muito importante para a segurança porque faz o seguimento da navegação numa área restrita e acompanha navios que poderão estar em dificuldade (com avarias ou arribadas forçadas). Este equipamento tem uma importância vital também nas ações de busca e salvamento.

Chega? Não – tudo o que se fizer é pouco para garantir a segurança de quem faz do mar o seu ganha-pão. E por isso insisto em que é preciso dar seguimento a um trabalho que melhore as condições de trabalho dos pescadores. Essa deve ser uma preocupação do Governo central, dos armadores, das associações de pescadores e, claro, também das autarquias que têm comunidades piscatórias como é o caso de Matosinhos.

A minha emoção não é comparável – não poderá ser nunca – à que sentirão as pessoas que têm familiares a trabalhar no mar quando ouvem notícias como a de hoje. Mas, em qualquer circunstância, a minha solidariedade é total. 

02 fevereiro 2017

Assembleia da República – Pedido de esclarecimento

Ontem à tarde, durante a sessão plenária da Assembleia da República, fiz um pedido de esclarecimento no seguimento de uma intervenção feita pela deputada do CDS Isabel Galriça Neto que defendeu o reforço dos cuidados paliativos.

Dirigindo-me à deputada centrista, afirmei que a bancada do Partido Socialista acha absolutamente pertinente que a questão dos cuidados paliativos seja trazida à discussão na Assembleia. Todos nós sabemos da importância que esses cuidados têm no Serviço Nacional de Saúde e nos cuidados de saúde atualmente, sobretudo devido ao envelhecimento da população. Dizendo que estamos neste momento disponíveis para discutir esse assunto, recordei que, ainda mais importante do que isso, também estivemos muito disponíveis para por em prática as medidas que o Governo anterior defendeu e anunciou mas que, verdadeiramente, não concretizou. Na realidade, o anterior Executivo não criou a Comissão Nacional dos Cuidados Paliativos, nem os coordenadores regionais, nem o Plano Estratégico para o Desenvolvimento dos Cuidados Paliativos do Biénio 2017/2018, nem fez a abertura da primeira unidade de cuidados paliativos pediátricos (em Matosinhos). Todas estas são marcas do Partido Socialista e deste Governo. Portanto, em matéria de cuidados paliativos o PS está muito à vontade para discutir – não só pelas propostas do futuro, mas também pelo trabalho que já temos realizado nesta área.

Continuando, reconheci que há uma proximidade das nossas posições relativamente à questão dos cuidados paliativos. Porém, acrescentei que queria também deixar claro que não nos parece recomendável que, ao abordar este assunto no dia em que se discutia uma petição que trata de questões distintas, se tente, tal como transpareceu da intervenção da Senhora Deputada, fazer alguma ligação entre o reforço dos cuidados paliativos e as questões da morte assistida. No Partido Socialista, nós defendemos a necessidade de reforçar essa rede, mas não a confundimos com a discussão em torno da despenalização da eutanásia ou da morte assistida.

Independentemente da vontade pessoal de cada um dos deputados da bancada socialista, que terão a possibilidade de fazer a sua própria opção, entendemos que é preciso tornar claros os conceitos que estão em causa. O pior serviço que poderíamos prestar ao país era, através da declaração política do CDS, confundirmos as pessoas e a opinião pública. E conclui pedindo à Deputada Isabel Galriça Neto que nos esclareça se entende que as medidas que enunciei – e que já estão postas em prática – contribuíram ou não para alcançar os objetivos que a Senhora Deputada tinha defendido.

O meu pedido ficou sem resposta.


(Veja e ouça o meu pedido de esclarecimento clicando AQUI)

01 fevereiro 2017

Visita à Escola de Segunda Oportunidade de Matosinhos

Ontem fiz uma visita à Escola de Segunda Oportunidade de Matosinhos, em S. Mamede de Infesta, cuja atividade tenho acompanhado com muito interesse ao longo dos anos. Tive reuniões com professores e alunos e inteirei-me do trabalho que a Escola tem realizado e dos seus objetivos: garantir aos alunos as competências básicas indispensáveis à sua integração social e ocupacional, orientando-os para o desenvolvimento de competências pessoais, sociais e vocacionais.

A Escola de Segunda Oportunidade de Matosinhos dirige-se a jovens dos 16 aos 25 anos que por algum motivo foram excluídos das ofertas formativas disponíveis e para os quais a oferta tradicional existente em matéria de educação e de formação profissional é pouco atrativa. Normalmente, são jovens provenientes de contextos vulneráveis e que abandonaram os estudos ou que estão em risco de o fazer sem terem obtido as qualificações mínimas indispensáveis à sua integração social e ocupacional.

Trata-se de uma escola pioneira em Portugal por ter sido a primeira a integrar a “2nd Chance Schools”, rede europeia que foi presidida pelo ex-presidente da Câmara de Matosinhos, Guilherme Pinto. Ali, os jovens têm acesso a uma experiência de formação fortemente motivacional, essencialmente orientada para o desenvolvimento de competências pessoais, sociais e vocacionais a partir dos seus desejos e capacidades.

O trabalho é realizado tendo a formação vocacional e a construção de projetos de vida como papel central e combina a aquisição de competências básicas com a formação prática em contextos de trabalho e as novas tecnologias.

Durante a visita de ontem pude confirmar a excelência do trabalho realizado na formação de jovens que se ganham quando poderiam perder-se nas ruas escuras da vida. Na Escola de Segunda Oportunidade de Matosinhos há jovens que estão a ser formados e que irão em breve integrar o mercado de trabalho colocando ao serviço da sociedade as qualificações que entretanto adquiriram. A qualidade e beleza dos trabalhos de carpintaria e têxteis que me ofereceram, tal como os pratos que o grupo de culinária me preparou, não mentem: Matosinhos e Portugal merecem que se invista na Educação e na Formação Profissional.





31 janeiro 2017

Parlamento dos Jovens em S. Mamede de Infesta


Dezenas de alunos da Escola Secundária Abel Salazar, em S. Mamede de Infesta, participaram ontem de manhã numa sessão do Parlamento dos Jovens, uma iniciativa da Assembleia da República, dirigida aos jovens dos segundo e terceiro ciclos do ensino básico e do ensino secundário. Foi uma sessão muito interessante com alunos de S. Mamede que cumpriram uma etapa antes de, em maio, o Parlamento dos Jovens reunir, durante dois dias, na Assembleia da República.

A sessão foi muito interessante. Numa primeira parte, tive oportunidade de explicar as funções, organização e funcionamento da Assembleia da República. Seguiu-se um debate, muito participado, sobre os 40 anos da Constituição Portuguesa e os desafios do poder local. Neste particular, os jovens defenderam a criação de regiões administrativas e o reforço das competências das autarquias. Ficou demonstrado que, contrariamente ao que muita gente diz, não faltam jovens com interesse na política e com ideias para melhorar o funcionamento do país e a vida das pessoas.

O Parlamento dos Jovens é promovido pela Assembleia da República desde 1995. No primeiro ano apenas participaram escolas do primeiro ciclo de Lisboa e do Porto, mas a partir de 1996 passou a realizar-se uma sessão destinada a escolas dos segundo e terceiro ciclos. O processo passou por várias fases e por diferentes formatos no pressuposto de que “a abertura da Assembleia da República ao exterior passa pelo reforço dos laços com as escolas e pelo reconhecimento de que a Democracia faz apelo a uma cada vez maior participação cívica e política dos jovens”.

Em maio quando os jovens deputados entretanto eleitos se reunirem para as Sessões Nacionais, na Assembleia da República, esperam-nos dois dias de trabalhos. No primeiro dia haverá reuniões em Comissão, presididas por deputados da Assembleia da República. Cada Comissão debate os projetos de 5 ou 6 círculos eleitorais, aprovando um texto comum. No segundo dia há a Sessão Plenária. Os trabalhos serão conduzidos por uma mesa de jovens eleitos e está previsto um Período de Perguntas a Deputados da Assembleia da República, com representação de todos os Grupos Parlamentares. Depois, os jovens debatem as medidas aprovadas nas Comissões, e selecionam dez de entre elas que integrarão a recomendação final à Assembleia da República.

Da experiência vivida ontem de manhã na Secundária Abel Salazar, fica-me a firme certeza de que, com estes jovens, Portugal tem todas as razões para encarar o futuro com otimismo e confiança. Há muitos jovens interessados na causa pública e perfeitamente capazes de contribuir para o enriquecimento do debate político. Assim lhes seja dada a oportunidade que eles merecem e que reclamam.

30 janeiro 2017

20 Anos de Jazz em Matosinhos

A Orquestra de Jazz de Matosinhos completa hoje 20 anos. O aniversário é comemorado esta noite no renovado edifício da Real Vinícola, agora sede da banda. Para trás estão duas décadas em que a OJM se tornou num embaixador de Matosinhos, quer em Portugal quer no estrangeiro. Vinte anos de afirmação e de colaborações com grandes nomes do jazz internacional, a presença em concertos em vários países e sessões no Carnagie Hall, em Nova Iorque, a mais mítica sala de espetáculos do mundo do jazz, falam por si.

Quando, em 1997, Pedro Guedes transformou a sua Héritage Big Band na Orquestra de Jazz de Matosinhos, já havia jazz na cidade. Mas há, claramente, um antes e um depois da fundação da OJM. “Muita gente achava, incluindo nós, que se calhar no ano seguinte íamos acabar. Nos primeiros anos foi muito difícil, para manter ensaios semanais, com dificuldades em convencer as pessoas a vir a troco de nada”, relembrou há dias Carlos Azevedo. Desde a sua criação, foi feita a promoção, a criação, a investigação, a divulgação e a formação na área da música jazz. Instituição sem fins lucrativos, a OJM tem investido em projetos artísticos heterogéneos que se traduzem em espetáculos e na edição discográfica sem prejuízo dos seus projetos formativos locais.

A OJM obteve rapidamente o reconhecimento nacional e internacional devido sobretudo à qualidade dos seus músicos. Mas o seu serviço educativo é igualmente muito importante. Com o objetivo de envolver os alunos e a população, a OJM montou um projeto com duas escolas do concelho e com a Associação dos Pescadores Aposentados de Matosinhos em que se ligou a música ao mar e à pesca para se criar um espetáculo que se chamou “A Grande Pesca Sonora”.

Outra iniciativas importantes foram “O jazz vai às escolas”, com sessões, tocadas ao vivo por músicos que explicam a evolução deste estilo musical e “O Jazz sem Barreiras”, nos estabelecimentos prisionais de Santa Cruz do Bispo e de Custóias, tal como as visitas à ALADI e à APPACDM, entre outras instituições. Essas atividades, iniciadas quando eu era vereadora da Juventude, revelam o papel desempenhado pela OJM para proporcionar um igual acesso de oportunidades, transpondo as barreiras socialmente estabelecidas e constituindo-se como um instrumento de inclusão ajustável a todos, independentemente das suas condições físicas, sociais e étnicas.

Em 2014, a Câmara Municipal atribuiu à OJM a medalha de mérito dourada, fruto do, já então, valor acrescentado que a banda trouxe a Matosinhos. Mas mais do que olhar para o passado, que honra a cidade e prestigia a banda, importa olhar o futuro. E esse, Matosinhos e a sua Orquestra de Jazz encaram-no com otimismo e determinados a construi-lo com ainda mais sucesso.

A OJM vai ter o seu espaço próprio, no edifício da Real Vinícola que a Câmara reabilitou. É um passo importante porque dota a banda de melhores condições para desenvolver o seu trabalho. Mas Pedro Guedes e Carlos Azevedo querem também incrementar o serviço educativo que a OJM desenvolve e estabelecer a ligação entre a arte e a tecnologia. Para o mês de junho está prevista a conferência “Computer Music Multidisciplinary Research”, o que permite lembrar que Matosinhos é também um concelho com uma vertente tecnológica cada vez mais forte. 

Esta noite, na rua Menéres, mais do que celebrar o passado, a Orquestra de Jazz de Matosinhos lança pontes para o futuro. O que eu desejo é que este lhe sorria. 

17 janeiro 2017

Eduardo Pinto Soares

Faleceu ontem Eduardo Pinto Soares, um dos decanos do jornalismo regional, fundador e Diretor do “Jornal de Matosinhos”. Fica mais pobre o jornalismo local, que perde uma das suas referências.

Não é seguramente fácil – pelo contrário – manter um jornal. A imprensa, em geral, e a regional em particular debatem-se com desafios importantes que já vêm de longe e que, certamente, terão tendência em agravar-se. O fim do regime do “porte pago”, o advento das novas tecnologias de comunicação e a quebra das receitas publicitárias são apenas algumas das causas para uma crescente decadência da imprensa, sobretudo da regional.

Ao longo dos 36 anos de publicação do “Jornal de Matosinhos”, Eduardo Pinto Soares foi um lutador, batendo-se pela sobrevivência de um jornal que, também ao longo desse tempo, se acabaria por tornar como parte integrante do património do concelho. Imagino que, face às dificuldades, muitas terão sido as ocasiões em que o Dr. Pinto Soares teve a tentação de deitar a toalha ao chão. Mas resistiu sempre, nunca baixou os braços e merece o meu respeito por isso.

Fui muitas vezes crítica pela falta de pluralidade dos cronistas do Jornal de Matosinhos, mas acredito que Eduardo Pinto Soares nunca deixou de tentar – embora nem sempre o tenha conseguido – rodear-se de colaboradores que assegurassem uma publicação diversificada do ponto de vista ideológico. Nesse aspeto, concordo por inteiro com o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa que no recente Congresso dos Jornalistas, afirmou que “sem jornalismo estável, forte e independente não há democracia sólida e de qualidade”.

A toda a equipa do Jornal de Matosinhos e, em especial, a João Pinto Soares e restante família, apresento as minhas mais sentidas condolências.

15 janeiro 2017

Obrigada, Guilherme

Esta semana, Matosinhos viu partir um dos seus filhos mais ilustres. Guilherme Pinto, que presidiu à Câmara Municipal durante os últimos onze anos, e, antes disso, tinha sido vereador, deixou-nos com a calma serenidade que só os grandes alcançam. Escassos dois dias antes de falecer, em entrevista à TSF, dizia que tinha tido “uma vida boa, sem nada para pôr no livro de reclamações”.

A tranquilidade com que encarou os últimos dias, certamente cansado pelo seu último e mais importante combate pessoal, contrastava com a permanente agitação com que sempre encarou a sua vida. Conheci Guilherme Pinto em 1994, quando entrei para o Conselho Consultivo da Juventude e ainda antes de com ele conviver também como vereadora municipal. Era já um homem profundamente empenhado em fazer mais e em fazer melhor por Matosinhos. Nisso, era insaciável, transbordante de uma energia que parecia inesgotável num permanente borbulhar de ideias.

Durante aqueles anos de vereação, Guilherme Pinto revelou-se também um agitador de opiniões ao suscitar debates em que refletíamos sobre os problemas do concelho. Dessas discussões saíram muitas vezes ideias criativas que permitiram soluções simples e eficientes. Excelente orador, poderia ter ido para Lisboa como deputado, mas Matosinhos foi sempre a sua paixão: aqui nasceu e aqui deixou uma obra marcante que vai além dos seus onze anos de presidente de câmara.

Em 2013, pela primeira vez desde que nos conhecemos e que eramos amigos, fizemos escolhas distintas que nos fizeram divergir. Tal como eu esperava, mostrou-se determinado na sua luta, mas sempre leal. No entanto, mesmo em campos diferentes, Guilherme Pinto manteve-se fiel aos valores socialistas e deu um contributo inestimável para que o PS vencesse as Legislativas de 2015 e envolveu-se também nas Presidenciais. De tal forma que o seu regresso ao seu partido de sempre era apenas uma mera formalidade, felizmente cumprida atempadamente. No fundo, nunca devia ter saído.

Com o desaparecimento de Guilherme Pinto, Matosinhos e a região veem sair de cena um dos seus maiores protagonistas, um homem que deixa uma marca indelével no concelho em múltiplas áreas que vão da Educação ao Desporto, da Cultura à coesão social, da captação de investimento à habitação, da reabilitação urbana ao ambiente. O concelho perde uma referência importante da sua história mais recente e eu, do ponto de vista pessoal, perco um amigo e um conselheiro, um farol e uma fonte de inspiração.

O funeral de Guilherme Pinto foi a maior manifestação de pesar e luto coletivo jamais vista na cidade. A multidão que esteve na Igreja do Bom Jesus de Matosinhos para a missa de corpo presente (com milhares de pessoas a não poderem entrar numa igreja já a abarrotar), significa que muita gente sente o mesmo que eu. Vou sentir muito a falta de Guilherme Pinto. Creio que a melhor forma de o homenagearmos, de honrarmos a sua memória e de perpetuarmos o seu nome é inspirarmo-nos no seu amor por Matosinhos. Um amor que se manifestava na coragem e determinação que Guilherme Pinto colocou em cada combate que travou pelo desenvolvimento da sua terra.

(Artigo publicado no "Jornal de Matosinhos", de 13.jan.2017)


12 janeiro 2017

Construir o Futuro

O ano que agora começa traz consigo novos desafios de enorme importância e que a todos dizem respeito. No plano político e social, o Governo de António Costa continuará a beneficiar de uma maioria parlamentar (Partido Socialista, Bloco de Esquerda, PCP e Verdes) que permite prosseguir a política de progresso e desenvolvimento iniciada no final de 2015 e que tão bons resultados deu durante 2016 quer ao nível interno quer internacional. A criação sustentada de postos de trabalho, com a consequente queda do desemprego, a redução gradual da precariedade, a devolução de direitos nomeadamente nas áreas da Saúde, da Educação e da Justiça, vai continuar. Simultaneamente, o executivo do Partido Socialista vai manter entre as suas prioridades a estabilização do setor bancário, de cuja saúde depende o financiamento às empresas a quem compete em última análise, a criação de emprego.

Embora muito exposto a uma conjuntura política e económica que se prevê hostil, espero e desejo que Portugal prossiga em 2017 na senda das conquistas alcançadas no ano que passou. O resultado das eleições norte-americanas e do mais recente referendo em Itália, a escalada de grupos nacionalistas e radicais um pouco por toda a Europa (vamos esperar para ver o que acontecerá em França nas presidenciais e na Alemanha) trouxeram riscos acrescidos para a economia portuguesa. Por outras palavras: talvez não possamos ir tão longe nem tão depressa como desejaríamos, mas é importante continuar a crescer e a desenvolver Portugal.

Num plano mais local, o ano será marcado pelas eleições autárquicas, nas quais colocarei todo o meu empenho e determinação. Assumo o objetivo de corporizar uma candidatura que reúna todas aquelas e todos aqueles para quem, acima de tudo, está Matosinhos. Serei candidata à Câmara e prometo não deixar ninguém de fora. Quero uma candidatura abrangente, que respeite o passado como afirmação da nossa identidade coletiva, mas que projete Matosinhos no futuro. Vamos investir na educação, na dinamização do tecido empresarial, na captação de investimento e de mão-de-obra qualificada, na mobilidade, no ambiente, na cultura.

Matosinhos não pode esperar. Temos de começar agora a construir o futuro.


(Artigo publicado no jornal "Notícias Matosinhos", janeiro 2017)


07 janeiro 2017

Mário Soares


O que é que ainda não foi dito sobre Mário Soares? Pelos 92 anos de uma vida cheia, vivida com um entusiasmo transbordante e uma dedicação plena à causa pública, o ex-presidente da República foi alvo de um permanente escrutínio por parte de todos: da comunicação social, dos seus adversários políticos, dos seus camaradas de armas e compagnons de route, enfim, Mário Soares não deixava ninguém indiferente – e todos sobre ele temos opinião formada e expressa.

Mário Soares é o pai da Democracia portuguesa, pela qual lutou, foi preso, deportado e exilado. Muito antes de ter sido primeiro-ministro e presidente da República, já tinha uma “folha de serviço” só ao alcance de alguém incomum. “Republicano, socialista e laico”, como se autodefiniu, envolveu-se muito novo no combate contra o Estado Novo. Com 25 anos, já formado em Direito, assumiu a defesa de muitos presos políticos e participou em diversos julgamentos. Integrou as comissões de apoio às candidaturas presidenciais de Norton de Matos, em 1949, e de Humberto Delgado, em 1958. Foi preso em doze ocasiões e deportado sem julgamento para a ilha de São Tomé, em 1968, dois anos antes de lhe ser permitido o exílio, em França. Em 1973 é um dos principais impulsionadores do encontro de Bad Münstereifel, na Alemanha, em que se deu a fundação do Partido Socialista.

Enquanto Secretário-geral do Partido Socialista, Mário Soares fica na história do partido. Não apenas por ter sido o primeiro a desempenhar a função, mas também pela influência que sempre teve como denominador comum a todos os socialistas e nossa principal referência ao longo dos tempos. Europeísta convicto, pertence a uma geração de políticos da estirpe de François Mitterrand, Olof Palme, Felipe González ou Willy Brandt, que construíram, com base nos valores do socialismo democrático, a Europa pela qual temos de continuar a lutar.


É imenso e praticamente inesgotável o legado de Mário Soares. É a figura mais marcante da sociedade portuguesa desde o último quartel do século XX, protagonista maior da Revolução de Abril, do processo de transição para a Democracia, da descolonização, da entrada de Portugal na então CEE. Dele, sublinho o inconformismo e a luta sem tréguas pela Democracia e pela justiça social que nos deve inspirar a todos. 

04 janeiro 2017

Júlio Vasconcelos e Orlando Magalhães

Têm sido muitas as pessoas que se me têm dirigido para apoiarem a minha candidatura à Câmara Municipal de Matosinhos. Estou muito grata a todas. Sempre disse que esta seria uma candidatura inclusiva, que não deixa ninguém para trás. Ontem, também recebi o apoio de Júlio Vasconcelos e de Orlando Magalhães, dois históricos socialistas de Matosinhos cujo apoio agradeço e muito me honra.

Júlio Vasconcelos é fundador do PS Matosinhos. Foi administrador da Docapesca, diretor do SMAS e vereador municipal logo após o 25 de Abril. Orlando Magalhães foi diretor do MASP, administrador da APDL e porta-voz da bancada socialista na Assembleia Municipal. São dois profundos conhecedores da realidade de Matosinhos e conselheiros de excelência cuja voz irei ouvir com muita atenção. Em ambos os casos são memórias vivas da cidade e do concelho. São dois verdadeiros senadores que, com as suas experiências e conhecimentos, engrandecem a candidatura.

Orlando Magalhães e Júlio Vasconcelos juntam-se a uma campanha que integra muita gente. Entre todos, um denominador comum: a convicção de que é possível manter Matosinhos na senda do desenvolvimento económico, social e cultural e melhorar a qualidade de vida dos matosinhenses. 

Como tenho dito, neste projeto contam todas e contam todos: quero corporizar uma candidatura abrangente, que respeite o passado como afirmação da nossa identidade coletiva, mas que projete Matosinhos no futuro.

É bem-vindo quem se revê nestes valores. Vamos continuar a construir o futuro.

03 janeiro 2017

Força, Guilherme!

Guilherme Pinto anunciou ontem que renuncia, por motivos de saúde, à presidência da Câmara de Matosinhos, cargo que desempenhou durante onze anos. Demitiu-se também dos seus outros cargos, nomeadamente da presidência do Fórum Europeu de Segurança Urbana, estrutura em que trabalhámos juntos durante anos, da presidência do Conselho de Administração da Rede Europeia das Cidades e Escolas de Segunda Oportunidade e da presidência da Casa da Arquitetura. A renúncia toma efeito no próximo dia 31 de janeiro.

Guilherme Pinto tem sido um autarca cuja dedicação e entrega ao concelho são consensualmente reconhecidos. Durante muitos anos envolveu-se em todos os combates para fazer de Matosinhos um concelho de referência a nível nacional. O seu contributo e o dinamismo com que orientou as suas equipas autárquicas foram essenciais para o desenvolvimento do concelho e para a melhoria da qualidade de vida aos seus habitantes.

Mas não é tanto pela sua renúncia à Câmara que eu hoje sinto o coração apertado. Guilherme Pinto e eu somos amigos há muitos anos, mesmo antes de eu ser “sua” vereadora. Aliás, durante oito anos fomos ambos vereadores, antes de ele ascender à presidência da Câmara. O facto de nas últimas eleições não termos estado juntos não nos afastou, antes reforçou uma verdadeira amizade. Por isso, ninguém levará a mal que hoje, em função dessa amizade que nos une, eu lamente particularmente o afastamento de Guilherme Pinto e introduza aqui uma nota muito pessoal. Não para lhe fazer o elogio (esse momento chegará certamente, numa homenagem que tem de ser pública e cuja dimensão não cabe, naturalmente, num simples blogue), mas sim uma maneira de dizer “Força Guilherme!”.

Caro Guilherme Pinto: Espero que a força e a coragem com que sempre se bateu por Matosinhos o acompanhem agora neste combate pessoal. Há muita gente a “torcer” por si. Eu serei mais uma, e estarei sempre na linha da frente, a dizer “Força Guilherme!”.

Nas atuais circunstâncias, fico particularmente orgulhosa por Guilherme Pinto encabeçar a Comissão de Honra da minha candidatura à Câmara de Matosinhos. Nos próximos meses vou inspirar-me na sua dedicação ao concelho.

Força, Guilherme!