16 julho 2016

Apresentação internacional da Casa da Arquitetura



A partir da primavera do próximo ano, quando for inaugurada a Casa da Arquitetura, Matosinhos ganha muito mais do que uma valência para promover a Arquitetura – ganha também um importante motivo de atração turística que complementa a oferta já existente. A Casa, que assumirá igualmente o nome de Centro Português de Arquitetura, vai funcionar no edifício da antiga Real Vinícola, na avenida Menéres. Trata-se de um prédio construído entre o final do século XIX e o início do século XX, que foi a primeira unidade industrial de Matosinhos-Sul. O edifício resistiu à progressiva transformação industrial e à ocupação habitacional daquela zona da cidade, tendo sido preservado devido ao seu elevado valor patrimonial e cultural.

Adquirido pela Autarquia, no ano de 2000, por cinco milhões de euros, o edifício da Real Vinícola foi classificado como monumento de interesse público. Além da Casa da Arquitetura, servirá também de sede à Orquestra de Jazz de Matosinhos. O projeto, da autoria do arquitecto municipal Guilherme Machado Vaz, inclui ainda um conjunto de espaços comerciais. O investimento total ronda os oito milhões de euros e permitirá adequar o edifício à sua nova função – ser o primeiro espaço expositivo português totalmente dedicado à divulgação e valorização da arquitetura.

Essa missão é corporizada através da criação de um arquivo nacional composto por uma coleção própria que inclui desenhos, estudos, projetos, maquetas, livros e obras de Arquitetura. A primeira fase abrange duas centenas de obras iconográficas da cultura arquitetónica portuguesa do último quartel do século XX.

A apresentação internacional da Casa da Arquitetura, que decorreu no passado fim-de-semana, ficou marcada por conferências e debates em que participaram, entre outros, Álvaro Siza Vieira e Eduardo Souto de Moura e por um concerto da Orquestra Jazz de Matosinhos.

No sábado de manhã, na reunião do conselho de fundadores, em que tive o gosto de participar, foi por todos expresso a importância deste espaço que guardará a memória da arquitetura portuguesa, combinando a parte de arquivo com a expositiva.

O diretor executivo da Casa da Arquitetura, Nuno Sampaio, reuniu com os presidentes das escolas de arquitetura para divulgar o projeto e estudar futuras formas de colaboração, nomeadamente ao nível da rede de arquivos nacionais, visitas e exposições.

Por seu lado, o vereador da Cultura, Fernando Rocha, orientou uma visita guiada, aberta à população, durante a qual explicou a história do edifício, as suas transformações ao longo do tempo e as novas valências.

Da parte de Nuno Sampaio, ficou a promessa de que o tempo que se segue será de diálogo com os parceiros e com a sociedade civil, até à inauguração. O presidente da Ordem dos Arquitetos, José Santa-Rita, defendeu que “a arquitetura é um bem que pertence a todos e faz parte da expressão cultural de um povo. Este é um presente para a cidade de Matosinhos, mas também para todo o país”.

Foi uma data muito especial para Matosinhos, que cumpre mais uma etapa do seu processo de reabilitação urbana, desta vez com uma obra emblemática com um impacto direto muito positivo ao nível cultural. Este projeto vai fazer de Matosinhos a capital nacional da Arquitetura. Além disso, permite redirecionar a política da Câmara Municipal e da própria Turismo do Porto e Norte de Portugal com vista à atração de visitantes de um nicho diferente do habitual. A partir de agora, abre-se uma nova avenida para atrair um público distinto daquele que procura o nosso concelho pela beleza das suas praias e pela qualidade da sua gastronomia.

(Artigo publicado no jornal O Matosinhense, 07.jul.2016)


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