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05 junho 2017

Trump e o Dia Mundial do Ambiente

É muito grave que Donald Trump renuncie ao esforço mundial de salvar o planeta. Sem meias palavras, é mesmo disso que se trata: salvar a Terra. Ao anunciar que os Estado Unidos abandonarão o Acordo de Paris, o presidente norte-americano ameaça infligir um duro revés ao compromisso, assumido por 195 países, de reduzir as emissões de gazes com efeitos de estufa (GEE) de forma a conter o aquecimento global.

É essencial que os Estado Unidos mantenham o seu compromisso, eles que são a primeira economia do mundo e o segundo país com emissões de GEE mais elevadas. Ou seja: basta que os EUA não cumpram a sua parte para que fiquem perigosamente hipotecadas todas as metas e se torne inglório o esforço do resto do mundo. Por isso,a decisão de Donald Trump é muito perigosa.

O Acordo de Paris é, provavelmente, a última hipótese de salvarmos a Terra. Muitos dizem até que já vamos tarde, mas não podemos desistir de defender o meio ambiente na tentativa de deixarmos às próximas gerações um planeta sustentável. Hoje, que se celebra o Dia Mundial do Ambiente, é importante pensar nisto.

09 novembro 2016

Trump ganhou – e agora?


À medida que os ponteiros do relógio iam avançando na noite, a apreensão ia crescendo. Os resultados vinham a conta-gotas, mas os estados iam caindo para o lado de Trump – os que já se sabiam que iriam cair, aqueles que se receava que pudessem cair e até aqueles que não se imaginava. A noite eleitoral foi longa, o suspense durou até tarde, mas o resultado foi-se desenhando num mapa que gradualmente foi ficando pintado de vermelho, a cor do Partido Republicano.

O povo norte-americano exprimiu-se e aquilo que muitos consideraram um absurdo foi votado como o futuro presidente do país mais importante do mundo. Como se chegou até aqui? Como é possível ter sido eleito um candidato com um discurso oco do ponto de vista ideológico, incapaz de alinhavar duas frases coerentes, quanto mais uma ideia de futuro? Como foi possível eleger alguém que fez da campanha eleitoral um exercício de baixeza em que as declarações e racistas, anti-imigração e sexistas, por exemplo, eram pronunciadas como palavras de ordem?

Parecia impossível. Mas, como AQUI escrevi, os Estados Unidos são um país onde até o impossível por vezes acontece. Hoje, os norte-americanos acordaram atordoados. O “New York Times”, um dos principais jornais de referência em todo o mundo, no seu Editorial desta manhã, não poupa palavras e considera a eleição de Donald Trump uma tragédia e um triunfo do nativismo, do autoritarismo, da misoginia e do racismo. E o jornal acrescenta que “a vitória chocante de Trump é um acontecimento repugnante na história dos Estados Unidos”.

Espera-nos (aos norte-americanos e ao resto do mundo sobre o qual os Estados Unidos têm algum poder) um mandato presidencial em que algumas conquistas sociais alcançadas nos últimos anos serão postas em questão. A política de inclusão preconizada por Barak Obama, para as mulheres e para todos os grupos minoritários, por exemplo, será certamente travada. As minorias étnicas serão contestadas e perseguidas. O programa de saúde implementado por Obama, o Obamacare, está ameaçado. A nível de economia, os mercados já reagiram e a bolsa está a afundar em todo o mundo.

Em 2008, Barak Obama fez uma campanha pela positiva, gerando uma dinâmica de confiança. O seu “Sim, nós podemos”, significava que sim, somos capazes. Somos capazes de criar um mundo melhor, uma sociedade mais justa em que as desigualdades sociais desapareçam progressivamente, em que a justiça social não é um conceito vão, em que o meio-ambiente é respeitado como legado para as gerações vindouras. Hoje e nos próximos tempos, com a vitória de Donald Trump, tudo isto pode ser hipotecado. Não auguro nada de bom.

10 outubro 2016

Donald Trump


Um mês. Na realidade, menos do que isso: a 8 de novembro os norte-americanos vão às urnas para eleger o (ou a…) sucessor(a) de Barack Obama. Dez anos depois de terem, pela primeira vez, escolhido um presidente negro, pode voltar a fazer-se História, agora com a eleição de uma mulher. A senadora Hillary Clinton é vista como favorita. Ainda ontem, voltou a ganhar o debate televisivo a Donald Trump, que perde apoios de cada vez que opina sobre qualquer assunto e que está longe ser recolher consensos, mesmo no seio do Partido Republicano. Mas os Estados Unidos são um país onde até o impossível por vezes acontece e as eleições não estão ganhas para a candidata democrata.

Donald Trump representa o que a América do Norte tem de pior. Reformulo: Donald Trump representa o que o Mundo tem de pior. A excentricidade será o seu menor defeito. O milionário faz da arrogância, do racismo, do machismo, do nacionalismo mais bacoco a sua imagem de marca. Alguns grupos sociais e comunidades étnicas são claramente hostilizadas: hispânicos e negros estão permanentemente no radar do candidato que, entre outros devaneios, propõe construir um muro na fronteira com o México para evitar a imigração ilegal.

A maneira como Trump se refere às mulheres num vídeo que foi publicado este fim-de-semana é repugnante. Ele, que nas suas próprias palavras “é uma estrela”, pode fazer o que lhe apetece. E, ele não o diz mas conclusão é óbvia, as mulheres só têm de se submeter aos seus caprichos.

Donald Trump é mau demais para ser verdade e, no entanto, não está de todo afastada a hipótese de se tornar presidente do país mais poderoso do Mundo. A sua eleição, embora improvável, constituiria uma machadada de enormes proporções nos esforços que têm sido feitos para construir uma sociedade mais justa, mais igualitária, mais inclusiva e mais tolerante.

Continuarei a seguir com muita atenção a campanha norte-americana até às eleições de 8 de novembro. Espero que, nesse dia, tenhamos motivos para celebrar uma vitória de Hillary Clinton sobre Trump e possamos virar a página sobre uma ameaça que pende sobre todos nós.