Mostrar mensagens com a etiqueta Música. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Música. Mostrar todas as mensagens

30 janeiro 2017

20 Anos de Jazz em Matosinhos

A Orquestra de Jazz de Matosinhos completa hoje 20 anos. O aniversário é comemorado esta noite no renovado edifício da Real Vinícola, agora sede da banda. Para trás estão duas décadas em que a OJM se tornou num embaixador de Matosinhos, quer em Portugal quer no estrangeiro. Vinte anos de afirmação e de colaborações com grandes nomes do jazz internacional, a presença em concertos em vários países e sessões no Carnagie Hall, em Nova Iorque, a mais mítica sala de espetáculos do mundo do jazz, falam por si.

Quando, em 1997, Pedro Guedes transformou a sua Héritage Big Band na Orquestra de Jazz de Matosinhos, já havia jazz na cidade. Mas há, claramente, um antes e um depois da fundação da OJM. “Muita gente achava, incluindo nós, que se calhar no ano seguinte íamos acabar. Nos primeiros anos foi muito difícil, para manter ensaios semanais, com dificuldades em convencer as pessoas a vir a troco de nada”, relembrou há dias Carlos Azevedo. Desde a sua criação, foi feita a promoção, a criação, a investigação, a divulgação e a formação na área da música jazz. Instituição sem fins lucrativos, a OJM tem investido em projetos artísticos heterogéneos que se traduzem em espetáculos e na edição discográfica sem prejuízo dos seus projetos formativos locais.

A OJM obteve rapidamente o reconhecimento nacional e internacional devido sobretudo à qualidade dos seus músicos. Mas o seu serviço educativo é igualmente muito importante. Com o objetivo de envolver os alunos e a população, a OJM montou um projeto com duas escolas do concelho e com a Associação dos Pescadores Aposentados de Matosinhos em que se ligou a música ao mar e à pesca para se criar um espetáculo que se chamou “A Grande Pesca Sonora”.

Outra iniciativas importantes foram “O jazz vai às escolas”, com sessões, tocadas ao vivo por músicos que explicam a evolução deste estilo musical e “O Jazz sem Barreiras”, nos estabelecimentos prisionais de Santa Cruz do Bispo e de Custóias, tal como as visitas à ALADI e à APPACDM, entre outras instituições. Essas atividades, iniciadas quando eu era vereadora da Juventude, revelam o papel desempenhado pela OJM para proporcionar um igual acesso de oportunidades, transpondo as barreiras socialmente estabelecidas e constituindo-se como um instrumento de inclusão ajustável a todos, independentemente das suas condições físicas, sociais e étnicas.

Em 2014, a Câmara Municipal atribuiu à OJM a medalha de mérito dourada, fruto do, já então, valor acrescentado que a banda trouxe a Matosinhos. Mas mais do que olhar para o passado, que honra a cidade e prestigia a banda, importa olhar o futuro. E esse, Matosinhos e a sua Orquestra de Jazz encaram-no com otimismo e determinados a construi-lo com ainda mais sucesso.

A OJM vai ter o seu espaço próprio, no edifício da Real Vinícola que a Câmara reabilitou. É um passo importante porque dota a banda de melhores condições para desenvolver o seu trabalho. Mas Pedro Guedes e Carlos Azevedo querem também incrementar o serviço educativo que a OJM desenvolve e estabelecer a ligação entre a arte e a tecnologia. Para o mês de junho está prevista a conferência “Computer Music Multidisciplinary Research”, o que permite lembrar que Matosinhos é também um concelho com uma vertente tecnológica cada vez mais forte. 

Esta noite, na rua Menéres, mais do que celebrar o passado, a Orquestra de Jazz de Matosinhos lança pontes para o futuro. O que eu desejo é que este lhe sorria. 

06 maio 2016

Orquestra de Jazz internacionaliza Matosinhos



Neste primeiro artigo no Notícias Matosinhos, quero começar por saudar o seu editor, Emídio Brandão, e agradecer-lhe o espaço que me concede. Abraço este projeto com muito carinho e a determinação que ponho em tudo o que faço. O Notícias Matosinhos tem um papel fundamental no panorama da imprensa regional, com o seu grafismo apelativo e inovador e a sua informação rigorosa e plural.
---
A Orquestra de Jazz de Matosinhos é, a par da nossa gastronomia e do porto e terminal de cruzeiros, um dos nossos maiores embaixadores, contribuindo para a internacionalização do nome de Matosinhos. Dizê-lo é reconhecer o percurso notável da formação, numa altura em que se prepara, novamente, para atravessar o Atlântico para uma semana de concertos no famoso Blue Note, em Nova Iorque. Para a OJM trata-se de um regresso aos EUA onde esteve recentemente no não menos famoso Carnegie Hall, mas sem dúvida, um marco inesquecível para o seu desejavelmente longo percurso.

Uma das mais gratas recordações dos meus doze anos de vereadora é ter “presenciado” o nascimento da Orquestra de Jazz de Matosinhos cuja fundação, em 1999, foi apoiada pela Câmara Municipal. Ao longo dos anos, o projeto ganhou dimensão e, com ela, respeito, notoriedade e credibilidade. E é com essa mistura de ingredientes que a Orquestra de Jazz de Matosinhos chega a parcerias com nomes tão notáveis como os portugueses Maria João, Maria Azevedo ou Carlos Bica ou ainda os internacionalmente conhecidos Joshua Redman, Maria Schneider, Carla Bley, Dee Dee Bridgewater, Maria Rita ou Mayra Andrade.

No seu currículo, a OJM tem atuações regulares nas principais salas portuguesas. Além disso, conta com espetáculos em Barcelona, Bruxelas, Milão, Marselha, Boston e Nova Iorque. Foi aliás a primeira big band portuguesa de jazz a participar num festival norte-americano, em 2007, e realizou completou temporadas em vários clubes nova-iorquinos.

Formando uma verdadeira orquestra de jazz, a OJM apresenta repertórios de todas as variantes estéticas e de todas as épocas. E, como diz na sua página de internet, assume-se “como um fórum alargado de compositores e músicos, lançando pontes, estabelecendo parcerias e produzindo um repertorio nacional próprio específico para big band contemporâneo, versátil e diverso”. Na realidade, a formação guarda a tradição das big bands clássicas, mas investe continuamente em promover continuamente a criação, a investigação, a divulgação e a formação na área do jazz.

A partir de 2010, a Orquestra desenvolve também um projeto destinado à criação de um Centro de Alto Rendimento Artístico (CARA), destinado a promover o diálogo entre arte, ciência e tecnologia, designadamente através de projetos multidisciplinares que visem a investigação e desenvolvimento de soluções para a criação, fruição e disseminação de conteúdos criativos.

Matosinhos agradece, até porque sabemos que a formação tem resistido à pressão para mudar de nome. Mas o sentimento de pertença e de gratidão em relação à cidade que a viu nascer tem falado mais alto…

(Artigo publicado no Notícias Matosinhos, 06.mai.2016)