Mostrar mensagens com a etiqueta Ciência e Tecnologia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ciência e Tecnologia. Mostrar todas as mensagens

05 junho 2017

Investir nas competências digitais

A meta é sem dúvida ambiciosa: 70 mil. Segundo o primeiro-ministro, este é o número de cidadãos que será preciso dotar de competências para que Portugal possa alcançar os países nórdicos no domínio da economia digital. António Costa afirmou esta manhã que é preciso investir na formação e reconverter para as competências digitais cerca de 15 mil licenciados em áreas que têm baixos níveis de empregabilidade.

As declarações de António Costa vêm confirmar e dão peso à reflexão que a candidatura socialista promoveu recentemente no âmbito do “Ouvir Matosinhos”. Na sessão dedicada à Educação, ficou claro que é crucial continuarmos a investir na formação e na qualificação profissional, sobretudo nos setores em que o mercado de trabalho tem escassa mão-de-obra disponível. Esta é portanto uma área estratégica para que o concelho e o País se desenvolvam, ganhem competitividade e possam enfrentar, com sucesso, os desafios de uma sociedade cada vez mais exigente.

No âmbito do Portugal 2020, a Estratégia para a Indústria 4.0, contempla sessenta medidas que terão um impacto previsto em mais de 50 mil empresas e permitirão formar mais de 20 mil trabalhadores em competências digitais. O CEiiA, de Matosinhos, é um dos parceiros do projeto, catapultando a cidade e o concelho para um protagonismo que é importante manter e reforçar.

É que, para além do mais, dotar a população de competências é também combater a exclusão. 

30 abril 2017

Matosinhos em Nova Deli

Foi a pedido e convite das Nações Unidas que o Centro para a Excelência e Inovação da Indústria Automóvel (CEiiA), de Matosinhos, participou, esta semana, numa conferência sobre tecnologia sustentável realizada em Nova Deli, na Índia. A participação no “Fórum do Global Compact” pode representar a abertura do mercado indiano para a instituição matosinhense que já conta no currículo com projetos de sucesso no Brasil, onde gere a plataforma tecnológica que gere e monitoriza a frota de carros elétricos da gigantesca central hidroelétrica de Itaipu.

Mais importante ainda do que a participação na conferência propriamente dita, é que o CEiiA vai passar a integrar a “Breaktrough Inovation”, uma plataforma utilizada pela Organização das Nações Unidas para criar tecnologias disruptivas, nomeadamente ao nível da inteligência artificial. Abrem-se assim novos horizontes à empresa matosinhense que poderá em breve estender a sua atividade a outras geografias.

A área aeroespacial é outra em que o CEiiA vai ter intervenção. Também esta semana, foi assinado um contrato com a Fundação da Ciência e Tecnologia e a Universidade de Évora, para a criação de uma cátedra dedicada a esta área. Em Évora, onde o cluster aeronáutico está “a ganhar asas”, pretende-se suscitar a investigação e o desenvolvimento de materiais e de sistemas inovadores para a indústria aeronáutica, para a robotização e automação, assim como a certificação de processos e integração de sistemas.

Naturalmente, não fico indiferente ao êxito alcançado pelas e pelos matosinhenses, quer a nível individual quer coletivo. E hoje volto a chamar aqui a atenção para trabalho desenvolvido pelo CEiiA porque me parece ser o paradigma que todos devemos seguir: competência, ambição, investigação, desenvolvimento. Quando reunidas, estas caraterísticas só podem resultar no sucesso, com as consequências económicas e sociais que daí decorrem.

O CEiiA dá um contributo decisivo para que Matosinhos seja um concelho financeira e ambientalmente sustentável, onde os cidadãos tenham qualidade de vida e todas as condições para serem felizes.

07 fevereiro 2017

Matosinhos e a 4ª Revolução Industrial

25 Mil milhões de euros. É este o montante que Portugal irá receber até 2020 para estimular o crescimento e a criação de Emprego e promover as intervenções necessárias para concretizar esses objetivos. No âmbito do Portugal 2020, pretende-se incentivar a produção de bens e serviços transacionáveis, o Incremento das exportações e a transferência de resultados do sistema científico para o tecido produtivo. O programa prevê também o cumprimento da escolaridade obrigatória até aos 18 anos, a redução dos níveis de abandono escolar precoce e a integração das pessoas em risco de pobreza e combate à exclusão social. A promoção do desenvolvimento sustentável, o reforço da coesão territorial, particularmente nas regiões de baixa densidade e a racionalização, modernização e capacitação da Administração Pública, são outros dos objetivos.

É no quadro do Portugal 2020 (que está em vigor desde 2014) que foi há dias anunciada a Estratégia para a Indústria 4.0, um conjunto de sessenta medidas de iniciativa pública e privada que deverão ter impacto em mais de 50 mil empresas e permitirão formar mais de 20 mil trabalhadores em competências digitais. Haverá 4,5 mil milhões de euros que serão injetados na economia, valor que representa o investimento em recursos relevantes para a transformação digital da economia.

O CEiiA, de Matosinhos, é um dos parceiros do projeto. Através da parceria com a Startup Portugal, a empresa matosinhense vai possibilitar a incubação e aceleração de startups ligadas à digitalização da indústria. O CEiia é um centro de engenharia e desenvolvimento de produtos para a indústria aeronáutica, automóvel e de mobilidade. Até 2020, a empresa será um espaço de produtização e prototipagem integrado na estratégia nacional para a Indústria 4.0, desenvolvida em paralelo com a Startup Portugal, a estratégia nacional para o empreendedorismo, lançada em 2016.

No arranque desta incubadora e aceleradora de produtização e prototipagem vão estar startups tecnológicas que poderão trabalhar diretamente com multinacionais como a Mitsubishi, a Siemens ou a Autoeuropa, por exemplo. A ideia é que a partilha do espaço possa contribuir para ajudar a transformar ideias em produtos de forma sistemática.

Há quase um ano que o Governo tem vindo a desenvolver a estratégia nacional para Indústria 4.0, em parceria com mais de 200 empresas que foram ouvidas sobre as formas que consideram mais eficazes de apoio para aquela a chamada 4ª Revolução Industrial.

Que Matosinhos, através do CEiiA, tenha um papel preponderante na estratégia nacional para Indústria 4.0 é uma prova evidente de que o concelho soube evoluir acolhendo também atividades não tradicionais onde começa a dar cartas. Como tenho dito e escrito noutras ocasiões, o investimento em Educação e em Investigação e Desenvolvimento é um investimento que frutifica. 

11 novembro 2016

Fernando Sollari Allegro


O funeral de Fernando Sollari Alegro, ex-presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Porto, foi ontem à tarde. Adalberto Campos Fernandes considerou o falecimento do médico como “uma perda irreparável”. O ministro da Saúde acrescentou que "do ponto de vista humano, trata-se de um homem com grandes qualidades pessoais, com uma dedicação ao serviço público que é exemplar, que transformou verdadeiramente o Centro Hospitalar do Porto".

Sei bem do que Adalberto Campos Fernandes fala, porque conheci pessoalmente o Dr. Sollari Allegro, com quem trabalhei de perto no projeto da primeira unidade de cuidados paliativos pediátricos do país. Foi ele quem aprovou a cedência do edifício onde o Kastelo se instalou, em S. Mamede de Infesta, Matosinhos, numa zona de grande vulnerabilidade social e clínica. Enquanto madrinha do Kastelo, que me orgulho de ser, é justo que assinale o contributo absolutamente decisivo de Sollari Allegro para a concretização do projeto.

Sollari Allegro estava reformado desde o final de setembro, na sequência do agravamento do seu estado de saúde, que o obrigou ao internamento no Hospital de Santo António. Era dono de um currículo académico, social e profissional invejável, tão rico que não cabe nesta nota. Médico e professor, foi ele o mentor das importantes transformações que o Centro Hospitalar do Porto/Hospital de Santo António teve desde que, em 2002, foi nomeado, pela primeira vez, presidente do Conselho de Administração.

Foi também Sollari Allegro quem esteve na génese do Centro Materno-Infantil do Norte, cuja segunda e última fase foi inaugurada em abril passado. Allegro resistiu e persistiu às adversidades que encontrou para realizar este projeto que é hoje um marco para a região, para o País e para o Serviço Nacional de Saúde.

De facto, como disse Adalberto Campos Fernandes, Allegro "deixa uma obra que perdurará na cidade do Porto". Deixa também a imagem de alguém muito estimado e respeitado por todos. Quando, em abril de 2010, o Ministério da Saúde o condecorou com a medalha de Serviços Distintos Grau Ouro, a homenagem era completamente justa e justificada. O percurso que Fernando Sollari Allegro continuou a percorrer desde então dá ainda mais peso à justiça desse tributo.

10 novembro 2016

A cimeira tecnológica de Lisboa


Termina hoje um dos maiores eventos de tecnologia do Mundo, que este ano se realiza em Portugal. Desde terça-feira, Lisboa vive ao ritmo da Web Summit, que atraiu mais de 50 mil pessoas (há quem fale de 70.000, incluindo conferencistas, investidores e jornalistas) à capital portuguesa. Os hotéis ficaram cheios, a restauração vive um pico de faturação e Portugal afirma-se no contexto mundial do empreendedorismo, da tecnologia, da inteligência artificial e da realidade virtual. Mais de 20 mil startups encontram palco e público para apresentar as suas ideias inovadoras e encontrarem parceiros e, sobretudo, investidores.

Fisicamente, dura apenas três dias, mas são dias que animam Lisboa. Do antigo Pavilhão Atlântico e da FIL, no Parque das Nações, o evento espalha-se pela cidade, com muitas iniciativas paralelas que incluem visitas culturais e saídas à noite. No Sunset Summit, organizado pelo Turismo de Portugal, é promovida a gastronomia portuguesa e produtos regionais aproveitando o enorme mediatismo provocado pela Web Summit. Na realidade o impacte económico e social do evento vai ser enorme e perdurar no tempo. Aliás, as próximas duas edições do Web Summit também vão decorrer em Lisboa, o que constitui uma espécie de reconhecimento de que Portugal ganhou relevância mundial no contexto das novas tecnologias.

O atual Governo do Partido Socialista vê no empreendedorismo um dos pilares mais importantes da economia do país e constata um enorme potencial de crescimento e valorização competitiva na área da inovação tecnológica. Compreende-se que António Costa tenha aproveitado o arranque da Web Summit para anunciar um investimento de 200 milhões de euros num programa de coinvestimento para empresas inovadoras que precisam de capital de risco. Como o programa prevê 50 por cento de financiamento público e 50 por cento privado, ao todo são 400 milhões de euros cuja aplicação é decidida pelos investidores que escolhem as melhores empresas, os melhores projetos e a quem é preciso garantir capital de risco para poderem arrancar e desenvolver as suas ideias. É um contributo extraordinário para desenvolver as empresas de base científica e tecnológica.

O primeiro-ministro reconhece que "muitas empresas em Portugal, sobretudo nos setores mais inovadores e mais disruptivos, da robótica à biotecnologia, têm sentido dificuldades em encontrar financiadores”. António Costa afirmou que “se pusermos o dinheiro acessível às pessoas certas para realizar os projetos certos, teremos condições para fazer os melhores investimentos". Este programa agora anunciado inscreve-se no âmbito do Startup Portugal, uma plataforma lançada pelo Governo para ajudar quem quer começar o seu próprio negócio.

Estão pois reunidas todas as condições para que a Web Summit seja um sucesso cujos efeitos se farão sentir ao longo de muitos anos. Seguirei com muita atenção as próximas edições, até para perceber se o papel da Mulher neste tipo de eventos tem alguma evolução. Este ano, entre os 32 conferencistas portugueses convidados, há apenas uma mulher o que parece querer confirmar que a evolução tecnológica é um mundo essencialmente masculino. Não é – mas parece. E seria bom que, futuramente, não tivéssemos que recorrer ao exemplo da mulher de César, a quem não se exigia apenas que “fosse”, mas também que o “parecesse” para ficarmos com a certeza disso.

24 julho 2016

Matosinhos e o desenvolvimento tecnológico


Aos poucos, Matosinhos vai ganhando valências em várias áreas de atividade que colocam a cidade e o concelho no mapa do desenvolvimento. Durante anos, o nome foi sinónimo de pesca, com todas as atividades com ela relacionadas, desde a indústria conserveira à restauração. Hoje, Matosinhos continua a ser uma terra de horizonte e de mar, mas é também sinónimo de Arquitetura, de Arte Urbana e, também, de Tecnologia.

Há dois dias foi assinado o memorando de entendimento que cria uma rede de laboratórios colaborativos cujo objetivo consiste em colocar Portugal na avançada tecnológica em matéria de mobilidade e de investigação espacial. A cerimónia de assinatura, apadrinhada pelo Primeiro-ministro, António Costa, decorreu nas instalações do Centro de Excelência para a Inovação da Indústria Automóvel, que tem sede em Matosinhos. Simultaneamente foi também assinado o contrato para o desenvolvimento de um veículo interativo com funções autónomas em ambiente urbano. O Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, o ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, e o ministro do Ambiente, José Pedro Matos Fernandes, também estiveram presentes.

A iniciativa Laboratórios Colaborativos resulta do Plano Nacional de Reformas, documento apresentado pelo atual Governo e aprovado em abril passado, em Portugal e em Bruxelas. A estrutura reúne instituições do ensino superior, centros de investigação, autarquias e cerca de duas dezenas de empresas tecnológicas que procuram diversificar a base económica do país. O objetivo é disseminar pelo país projetos de investigação tecnológica que permitam a criação de riqueza e de emprego qualificado e coloquem Portugal na frente em domínios como a mobilidade elétrica e a engenharia aeronáutica e aeroespacial.

Segundo o Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, “esta é uma oportunidade única de aceder a novos mercados e a novas ideias, demonstrando que o conhecimento cria emprego e riqueza”. A conceção de satélites mais pequenos do que os atuais, por exemplo, é um dos projetos em desenvolvimento. Bicicletas de uso partilhado, peças para o novo avião Embraer KC-390 estão igualmente a ser desenvolvidos.

António Costa, que se voluntariou para testar o veículo interativo com funções autónomas em ambiente urbano, afirmou por seu lado que “podemos ser competitivos e ganhar valor apostando na inovação”. O Primeiro-ministro acrescentou que “o essencial é ter os olhos postos no futuro” e saudou os autarcas de Matosinhos, Porto, Gaia, Braga, Guimarães e Évora, que integram a iniciativa Laboratórios Colaborativos.

Enquanto matosinhense, sinto orgulho em ver o meu concelho na vanguarda da Tecnologia. Sinto-me ainda mais orgulhosa por ver que a minha terra junta essa caraterística aos seus atributos tradicionais sem perder qualquer deles. É assim que se constrói o desenvolvimento e o progresso.

20 maio 2016

Inauguração do i3S, o superlaboratório


Foi ontem inaugurado o i3S – Instituto de Investigação e Inovação em Saúde, o superlaboratório que resulta da união do Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC), com o Instituto Nacional de Engenharia Biomédica (INEB) e o Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP). É um sonho que torna realidade a maior estrutura na área das Ciências da Saúde em Portugal. A nova valência alberga mais de mil colaboradores, 800 dos quais são cientistas.

O iS3 é vanguardista a nível tecnológico, utilizando tecnologia emergente nos domínios da genética, imunologia, bio-imagem, bio-materiais, oncobiologia, entre outras. As doenças neurodegenerativas, oncológicas e infecciosas estão na mira dos investigadores que ficam agora com condições excecionais para desenvolver os seus trabalhos de investigação e encontrar respostas que permitam combater eficazmente aquelas patologias.

Para desenvolver o i3S, seu diretor, Mário Barbosa, tem um plano assente em três bases: ter um centro de investigação útil em termos de Saúde Pública; aumentar a literacia médica da população; e demonstrar que há um impacto económico.

Apesar de a primeira pedra do novo edifício ter sido lançada em 2013, a criação do i3S transformou-se em realidade em 2008, quando os directores do IBMC, do INEB e do IPATIMUP assinaram o protocolo de estabelecimento do consórcio. A assinatura foi feita na presença do então primeiro-ministro José Sócrates e do ministro da Ciência Mariano Gago, que foi homenageado na passada segunda-feira, como aqui dei nota.

Ontem, na cerimónia de inauguração, o primeiro-ministro António Costa recordou Mariano Gago e destacou o seu papel de grande impulsionar da Ciência em Portugal. O primeiro-ministro lembrou que o Governo está a negociar com os sindicatos para acabar com as bolsas nas ciências, que é a forma como os investigadores são pagos, e substitui-las por verdadeiros contratos de trabalho para cimentar o emprego público.

O i3S é importante para Portugal e para a região. Com a sua inauguração, o Porto reforça o estatuto de capital da Ciência e do Conhecimento que atingiu graças ao trabalho de investigadores que estão entre os melhores do Mundo. Manuel Sobrinho Simões (fundador do IPATIMUP), que a revista britânica The Pathologist considerou no final do ano passado “o patologista mais influente do Mundo” é um caso paradigmático. Tal como Alexandre Quintanilha, meu colega no Grupo Parlamentar do Partido Socialista na Assembleia da República e físico de renome internacional. De uma geração mais recente, Hélder Maiato é a garantia da continuidade da linhagem de grandes investigadores portuenses. O jovem cientista venceu, no ano passado, o prémio que distingue o melhor entre os melhores da investigação europeia, o Louis-Jeantet Young Investigator Career Award. A fundação que instituiu o prémio está sediada em Genebra e criou o galardão para encorajar e apoiar os melhores talentos jovens a trabalhar em investigação biomédica na Europa.

Com a inauguração do i3S, é o Porto e o País que saem a ganhar.

16 maio 2016

Caminhos do Conhecimento


Mariano Gago, que mudou o paradigma da ciência em Portugal e faleceu em abril do ano passado, “reuniu” esta tarde a comunidade científica para um ciclo de conferências sob o tema “Caminhos do Conhecimento”. Foi em homenagem ao brilhante cientista e político que centenas de pessoas participaram nas diversas conferências que contaram também com a presença de destacados membros do Governo, nomeadamente o primeiro-ministro, António Costa, e o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor. Mariano Gago completaria hoje 68 anos.

No discurso de encerramento, António Costa afirmou que o Governo assume “como meta até 2020 o aumento para 40 por cento de diplomados do Ensino Superior (ou equivalente) na faixa etária entre os 30 e os 34 anos”. O reforço da investigação e desenvolvimento em percentagem do PIB entre 2,7 e 3,3 por cento é outra meta assumida. Trata-se de dois objetivos fundamentais com vista à promoção da inovação e à construção de uma economia mais competitiva.

Mas o elogio de António Costa a Mariano Gago foi a nota merecidamente dominante do discurso do primeiro-ministro. Merecidamente porque deve-se ao antigo professor universitário, cientista e político (foi ministro em quatro governos) o facto de Portugal ter multiplicado por 17 o número de investigadores e por 15 o Produto Interno Bruto (PIB) em conhecimento científico e inovação.

A homenagem a José Mariano Gago é justíssima porque poucos como ele promoveram o conhecimento e apelaram à mobilização coletiva para a construção de uma sociedade com mais conhecimento. “Investir na Ciência é investir no Futuro”, escreveu, sabendo que o debate sobre cultura científica era, sobretudo, um debate político. Ainda hoje não é evidente que a educação científica seja uma condição essencial para empregabilidade futura.

É também a Mariano Gago que se deve a criação dos programas como o “Ciência Viva”, que leva a Ciência para o universo concreto dos jovens, sobretudo do ensino básico e secundário. É graças ao sucesso do “Ciência Viva” que se explica o aumento dos jovens do ensino secundário que optaram, desde 1996, pelas áreas científicas.

O legado de Mariano Gago obriga-nos a estimular a divulgação da cultura científica e envolver as escolas, de todos os níveis de ensino, com as instituições científicas. Por isso apoio a política do ministro Manuel Heitor de promover a aprendizagem e estimular formas modernas de cidadania global.

A Jam Session que encerrou o programa, com a JazzUP Band de Manuel Mota, da Universidade de Évora, e estudantes da Escola Superior de Música, Artes e Espetáculo, do Porto, interpretou fielmente a fusão de conhecimentos por que Mariano Gago se bateu.